Título: Mais brasileiros com computador e celular
Autor: Ribeiro, Fabiana; Martin, Isabela
Fonte: O Globo, 19/09/2009, Economia, p. 31
Quase 4 milhões de domicílios passaram a ter telefone móvel. Cresce também aquisição de máquinas de lavar
MARIA DAS GRAÇAS: "Os filhos começaram a me pressionar e acabei ganhando um aparelho de presente"
MARIA SIMONE ganhou uma máquina de lavar roupas do seu marido
RIO e FORTALEZA. O acesso do brasileiro a telefones e computadores deu um salto de um ano para o outro, informou a Pnad. Quase 4 milhões de domicílios no país passaram a ter celular no ano passado - uma expansão de 22,5%. E, em 2008, praticamente um terço dos lares - ou 17,95 milhões - já tinha computador, sendo 13,7 milhões (23,8% das casas) com acesso à internet. O crescimento dos computadores foi, segundo o IBGE, de 21,4%.
A expansão da telefonia no país se dá via celular, mostram os números da pesquisa do IBGE. Tanto que o número de residências com só telefone fixo caiu de 5,2 milhões para 3,8 milhões - uma retração de 26,9% num ano. Segundo especialistas, é o fenômeno do pré-pago, aliado à forte concorrência do setor, que tem possibilitado às famílias de baixa renda ter celular.
De acordo com Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, o país já tem quatro vezes mais celulares do que aparelhos fixos - o que é uma tendência mundial. Hoje, são 86 celulares para cada 100 pessoas. Até 2011, as projeções indicam que o número de aparelhos será superior ao número de habitantes:
- No mundo todo tem pré-pago. No México, essas linhas representam 90% dos celulares. No Brasil, 82% - disse Tude, acrescentando que foram 30 milhões de novas linhas no ano passado. - Nesse ano, devem ser ativadas mais de 25 milhões de linhas.
Com a expansão, o telefone passou a estar presente em 82,1% das casas - ainda abaixo de televisão (95,1%), rádio (88,9%) e fogão (98,2%). No Norte, o telefone está em 72,4% dos lares. No Nordeste, em 66,8%. E no Sudeste, em 88,9%. Já residências com apenas celular são, respectivamente, 49%, 43,9% e 29,3%.
- O celular inseriu muitas famílias ao mundo da telefonia - concluiu o consultor.
O celular entrou na vida da professora Maria das Graças Lima, de 59 anos, através dos filhos. Item essencial, diz, para manter qualquer mãe tranquila. Na sua bolsa, no entanto, o aparelho foi incluído há cerca de um ano:
- Não saio muito de casa, por isso não via muita razão em ter um. Mas os filhos começaram a me pressionar e acabei ganhando um aparelho de presente do meu irmão. Mas só mais recentemente comecei a me lembrar de levar o celular quando vou à rua - admite Maria das Graças, que diz ainda não estar completamente adaptada a tecnologia. - Pedi ao meu filho para me explicar todos os comandos básicos e coloquei num papel, que carrego comigo junto com o celular.
No Sudeste, mais da metade dos lares com computador
Apesar da forte expansão dos computadores no país, continua alta a desigualdade digital no Brasil: mais da metade dos domicílios com computador (10,2 milhões) se concentra no Sudeste, dos quais 7,98 milhões estão conectados ao mundo virtual - ou 31,5% das residências da região. No Nordeste, essa fatia é de apenas,15,7% dos lares e no Norte, 17,4%.
- Esse avanço acontece graças a barateamento do computador, competitividade do setor, e financiamento no varejo. Não por estímulos do governo. As classes A, B e C estão conectadas. É a base da pirâmide que precisa sair da exclusão digital - disse Rodrigo Baggio, presidente do Comitê para Democratização da Informática (CDI), frisando que as lan houses têm papel fundamental no acesso à internet. - Cerca de 70% de quem acessa internet no Norte ou no Nordeste acessam também por lan houses. E 80% dos brasileiros que ganham até um salário mínimo acessam também por elas, ainda informais.
A Pnad mostrou outros avanços na posse de bens do brasileiro. Entre eles, está a máquina de lavar, que ganhou os lares, de 39,2% para 41,5% das residências. No Sul, 59% das casas contam com a máquina - região com maior concentração do artigo. No lado oposto, o Nordeste, em 15,5% dos lares.
Máquina de lavar está na sala, com outros aparelhos
Mais por capricho do que por necessidade, a dona de casa Maria Simone Pereira da Silva, 16 anos, fez a cabeça do marido para lhe comprar uma máquina de lavar roupas. O mais novo eletrodoméstico do casal, que aguarda a chegada do primeiro filho, foi instalado num canto da sala e divide espaço com outros aparelhos eletrônicos (televisão, home Theater e DVD). O casal vive numa casa alugada em Itaitinga, município da região metropolitana de Fortaleza.
- Eu odeio lavar roupas. Nunca gostei - disse ela.