Título: Lula elogia atuação do Supremo e diz que denúncia não atinge governo
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 30/08/2007, O País, p. 4

MENSALEIROS NO TRIBUNAL: Presidente afirma que já foi julgado nas eleições

"Ninguém foi inocentado e ninguém foi (considerado) culpado", afirma

BRASÍLIA. Em sua primeira manifestação depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia contra os 40 envolvidos no escândalo do mensalão, incluindo alguns de seus ex-ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou a atuação da Suprema Corte como parte de uma democracia sólida, mas destacou que a abertura de processo não significa culpa. A exemplo do que já disseram alguns de seus auxiliares, Lula afirmou que a denúncia contra os mensaleiros não atinge seu governo, pois foi reeleito com o apoio de 61% da população em outubro.

- Acho que o julgamento do Supremo aconteceu dentro daquilo que eu previa que aconteceria num país democrático, com instituições sólidas. Houve um processo, houve um pedido de indiciamento e houve uma aceitação desse indiciamento. Até agora, ninguém foi inocentado e ninguém foi culpado - disse Lula, em rápida entrevista após solenidade no Planalto. - Agora começa um processo de cada advogado fazer a defesa do seu "paciente", e o processo vai entrar numa rotina normal.

Quando perguntado se a abertura de processo no Supremo contra tantos petistas atingiria seu governo, o presidente recorreu à sua vitória no ano passado para dizer que os eleitores não enxergaram desta maneira:

- Eles (da oposição) tentaram me atingir, e 61% do povo deram a resposta na eleição do ano passado. O que aconteceu é a demonstração de que as instituições estão funcionando, a democracia está sólida.

Evitando mencionar nomes, disse que todos terão oportunidade de mostrar se são culpados ou inocentes:

- Agora o processo começa. Quem tiver culpa pagará o preço, quem não tiver culpa será inocentado, e quem ganhará será a democracia brasileira.

"Não tem nada a ver com o governo", diz Dulci

O mesmo argumento, o da vitória do PT nas eleições, foi utilizado, mais cedo, pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, para negar que a atitude do STF significasse um julgamento sobre o governo. Para Dulci, a decisão do STF foi sobre os autos e não havia nada contra o governo em exame.

- A decisão do Supremo é de abrir processo contra pessoas individuais. Não tem nada a ver com o governo. O governo já foi julgado nas urnas democraticamente e recebeu aprovação consagradora do povo brasileiro - afirmou.

Dulci, a exemplo de Lula, fez questão de separar a função dos poderes e dizer que o julgamento político foi feito na eleição.

- Na democracia, quem julga politicamente não são as pessoas, ainda que as opiniões sejam todas respeitadas. Quem julga na democracia é o povo soberano, e o povo soberano reelegeu consagradoramente o presidente Lula.

Dulci, que integra o Diretório Nacional do PT, adiantou que o tema mensalão não será discutido durante o 3º Encontro Nacional da sigla, que acontece a partir de amanhã, em São Paulo, com a participação de Lula. Questionado se defendia que o assunto entrasse em pauta no PT, Dulci recorreu ao argumento de que a oposição quer influir até na discussão interna do partido.

- É compreensível que a oposição queira impor a sua pauta ao PT, mas é compreensível também, e desejável, que o PT discuta os problemas que interessam à maioria da população, que são condições de vida, qualidade de vida, inclusão social, geração de emprego. Esses são os problemas que interessam à população - disse o ministro.