Título: Governo não cede à pressão para mudar CPMF
Autor: Batista, Henrique Gomes e Jungblut, Crsitiane
Fonte: O Globo, 14/09/2007, O País, p. 14

Na véspera, antes da absolvição de Renan, governistas tinham acenado com acordo, mas ontem recuaram.

BRASÍLIA. O governo decidiu ontem não ceder, como havia acenado anteontem o deputado Antonio Palocci (PT-SP), às pressões de líderes aliados por mudanças na proposta que prorroga a cobrança da CPMF até 2011, com alíquota de 0,38%. Durante encontro entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e os líderes da base aliada na Câmara e no Senado, o acordo foi de aprovar, ainda ontem à noite, na Comissão Especial da Câmara, o relatório de Antonio Palocci, que mantém a atual alíquota.

A única concessão, por enquanto, é que o relatório de Palocci deixa margem para futuras negociações, já que estabelece que a alíquota da CPMF pode ser reduzida por lei - projeto de lei ou até mesmo medida provisória.

Líderes ficaram irritados com "jogo dúbio" de Palocci

Vários líderes se irritaram ontem com o que chamaram de "jogo dúbio" de Palocci, que, na véspera, havia apoiado acordo em torno de redução da alíquota em 0,02 ponto percentual a cada ano, até chegar a 0,30% em 2011. Na reunião, Palocci defendeu o equilíbrio fiscal, fazendo coro ao ministro Mantega, e afirmou que aquela tinha sido uma proposta apresentada pelos senadores, na tentativa de fechar acordo já na Câmara.

- Havia expectativa já de acordo, mas isso não houve. Os próprios líderes Romero Jucá (PMDB-RR) e Ideli Salvatti (PT-SC) disseram que era preferível não haver mudanças na alíquota e que preferiam manter a 0,38%, porque baixar em 0,02 ponto percentual não daria o ganho político que se estava precisando - disse o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE).

- Se houver uma alteração na Câmara, a pressão no Senado será ainda maior. A CPMF é a segunda maior batalha da oposição. A primeira foi a de tentar derrubar o presidente do Senado - acrescentou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti.

O governo preferiu usar o rolo compressor nesta etapa de votação e só fazer concessões, se for mesmo necessário, na apreciação no plenário da Câmara ou mesmo no Senado. A avaliação é de que se o Planalto cedesse agora, no Senado teria que ceder ainda mais.

- No Senado, vamos trabalhar para sensibilizar os senadores. Lá, teremos dois problemas: o prazo muito curto e conseguir os votos - disse o líder Jucá, admitindo que o governo não tem os votos suficientes para aprovar a emenda constitucional.