Título: Amigo de Ciro é investigado por CGU e PF
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Fonte: O Globo, 29/09/2007, O País, p. 19

Victor Ponte, que arrecadou recursos para campanhas de Ciro, é acusado de favorecer empresa junto ao BNB

Responsável pela arrecadação de recursos para a campanha do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) e de seu irmão, o governador do Ceará, Cid Gomes, Victor Samuel Cavalcante da Ponte, diretor de Administração do Banco do Nordeste, está sendo investigado pela Controladoria-Geral da União e pela Polícia Federal por suspeita de fraude no banco. Reportagem da "Época", que chega hoje às bancas, mostra que Victor Ponte responde a processo administrativo.

O diretor é amigo e homem de confiança de Ciro. Ele é acusado de assinar, irregularmente, um acordo que reduziu uma dívida de R$65 milhões para R$6,6 milhões, da empresa Frutas do Nordeste do Brasil (Frutan) com o banco. Ponte não tinha competência para assinar o acordo sozinho e a redução desobedeceu a uma proibição da Advocacia Geral da União (AGU).

A autorização foi dada em junho de 2006, mesmo período em que Ponte foi designado por Ciro para arrecadar recursos de sua campanha. Ponte, que foi afastado temporariamente do cargo, foi subsecretário de Indústria e Comércio do Ceará no governo Ciro Gomes. A comissão de investigação no banco terá 30 dias para apresentar o resultado do inquérito.

Sediada no Piauí, a Frutan, que produz limão para exportação, está em nome de empresários do Rio de Janeiro. A empresa pediu a redução da dívida em 2005. Mas técnicos do banco, segundo a "Época", apontaram que as normas da AGU e do Tribunal de Contas da União proíbem a renegociação extrajudicial de empréstimos obtidos de fundos constitucionais - caso da Frutan -, financiada com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Nordeste.

O banco pediu ao Ministério da Integração Nacional, então chefiado por Ciro, que convencesse a AGU a autorizar o acordo. Com Ciro ainda no governo, a pasta encaminhou o pedido de revisão à AGU, mas o órgão emitiu parecer contrário. Mesmo assim, Victor Ponte assinou o contrato com a Frutan.

O então presidente do comitê de auditoria do banco, Paulo Roberto Medeiros Braun, disse à PF que está recebendo ameaças de morte. Segundo ele, auditores interessados em apurar os fatos estão sendo afastados.

Ponte negou à "Época" que tenha recebido dinheiro da Frutan ou recursos da empresa para a campanha de Ciro. O deputado disse que Ponte teria assinado o documento em caráter pessoal. Segundo Ciro, o acordo não teria valor porque no banco só valem decisões colegiadas. "Foi uma decisão errada, e disse isso a ele", afirmou Ciro.