Título: Congresso discutirá emenda constitucional
Autor: Paul, Gustavo
Fonte: O Globo, 01/10/2007, Economia, p. 21

Plano da INB é quadruplicar produção até 2012 para atender a novas usinas.

A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados deve começar esta semana a discutir a possibilidade de flexibilização do monopólio estatal sobre pesquisa, mineração e comercialização de urânio. Segundo o presidente da Comissão, deputado José Otávio Germano (PP-RS), no início de setembro foi criado um grupo de trabalho coordenado pelo deputado Ciro Pedrosa (PV-MG), que pretende ouvir especialistas e governo sobre o tema.

A opção das mineradoras brasileiras em procurar o legislativo é uma reação ao mutismo do governo federal. Em fevereiro de 2006, o então presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Roberto Esteves, enviou um documento sugerindo medidas para flexibilizar o monopólio. O documento circulou por pelo menos cinco ministérios em Brasília, mas dele não se tem notícia. A atual direção da INB acena para o incentivo a parcerias com o setor privado, mas acredita que a discussão sobre a flexibilização pode ser adiada para 2015, quando o Brasil teria condições de enriquecer todo o urânio de que precisa.

- É preciso primeiro consolidar o setor nuclear brasileiro, fechando o ciclo de conversão do urânio em gás e depois fazer o enriquecimento em escala industrial. Mais importante para o país é vender urânio com valor agregado - explicou Alfredo Tranjan Filho, presidente da INB.

O plano da INB é multiplicar por quatro a atual produção brasileira urânio até 2012, para atender o abastecimento das usinas nucleares de Angra I, II e III e, além disso, se preparar para atender às oito usinas previstas para o país até 2030.