Título: Bolívia vive impasse pela capital
Autor: Azcui, Mabel
Fonte: O Globo, 09/10/2007, O Mundo, p. 30

Disputa entre Sucre e La Paz se agrava e ameaça a Assembléia Constituinte.

A disputa entre Sucre e La Paz pela condição de capital plena da Bolívia virou o principal entrave político da Assembléia Nacional Constituinte, emperrada há 14 meses, e aumenta o risco de enfrentamento entre a hegemonia política do lado ocidental do país com a supremacia econômica do lado oriental. Ontem, parlamentares decidiram adiar a volta dos trabalhos da assembléia por mais dez dias, na tentativa de se chegar ao fim do impasse.

Sucre, a capital constitucional da Bolívia, exige o retorno dos poderes Executivo e Legislativo, atualmente em Paz. Mas o projeto de lei que prevê a transferência foi retirado da agenda da assembléia no dia 15 de agosto, numa manobra política da maioria liderada pelos governistas do Movimento ao Socialismo (MAS), favorável a La Paz. A medida resultou em 23 dias de protestos violentos nas ruas de Sucre, greve de fome de dezenas de pessoas e uma crise política que obrigou a suspensão de todos os trabalhos da assembléia, que já enfrentava uma série de impasses sobre temas importantes para o país, como a autonomia dos departamentos e a demarcação de territórios indígenas.

A questão chegou à Corte Superior de Justiça, que decidiu a favor de Sucre e ordenou que a Assembléia Constituinte volte a discutir o projeto de transferência da capital, sob pena de prisão dos parlamentares que se negarem a obedecer.

- O problema é que a reivindicação de Sucre deixou mais visíveis outros pontos de conflito, como a disputa entre brancos e índios, ricos e pobres, e também as diferenças de visão de país entre oriente e ocidente, que possuem ideologias antagônicas. O resultado disso pode ser um entrave político de grandes proporções e conseqüências - afirmou a socióloga Maria Teresa Zegada.

Indígenas pedem uma nova Constituinte

A crise atingiu contornos tão graves que importantes organizações indígenas afirmam que a única solução será a convocação de uma nova Assembléia Constituinte, para que todos os temas polêmicos possam ser novamente revistos.

- A única coisa certa é que, com ou sem assembléia, nada vai impedir que o processo de mudança siga em frente - disse o vice-presidente do país, Álvaro García Linera.

Em meio à crise, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou ontem que a nova Constituição não permitirá instalações de bases americanas no país.

- Gostaria que todos os países da América Latina fizessem a mesma coisa e impedissem a instalação de mais bases americanas - disse.

Com agências internacionais