Título: Senado já debate abertamente sucessão de Renan
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 16/10/2007, O País, p. 8

Conselho de Ética recebe quinta representação contra o senador; pedido é para investigar denúncia de espionagem.

BRASÍLIA. Oposição e aliados do governo já traçam estratégias para uma provável nova eleição para a presidência do Senado. A ação mais ofensiva parte do PSDB, que vetou o nome do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) para a sucessão de Renan Calheiros (PMDB-AL). Entre alguns governistas, no entanto, ainda há temor de que o debate contamine a votação da CPMF.

Ao mesmo tempo que discutem a sucessão, os senadores encaminharam a quinta representação contra Renan ao Conselho de Ética, para investigar as denúncias de que ele teria usado um assessor da presidência da Casa, Francisco Escórcio, para espionar dois colegas de Goiás, Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB). Com cinco votos a favor e apenas uma abstenção, de Papaléo Paes (PSDB-AP), a representação seguiu para o Conselho.

Assessores diretos de Renan pedem demissão

A oficialização da demissão de dois dos principais assessores diretos de Renan desde que ele assumiu a presidência - Weiler Diniz, da Secretaria de Comunicação, e Douglas De Felicci, da assessoria de imprensa - reforçou o debate.

O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), advertiu que, dependendo do candidato escolhido para o lugar de Renan, o PMDB pode perder a vaga:

- Se o PMDB não souber fazer, corre o risco de perder. A priori, acho que a oposição não deve lançar candidato. Só faríamos isso se o escolhido fosse um pau mandado do governo. Não quero nada bolorento. Não quero nenhum presidente avestruz - disse, reforçando seu veto público a Sarney e à senadora Roseana Sarney (PMDB-MA).

O líder do DEM, Agripino Maia (RN), que disputou a eleição com Renan, é cauteloso:

- A hora agora é de garantir que os processos contra Renan tenham continuidade.

Para o líder tucano, o sucessor de Renan pode ter ligação com o governo, mas, necessariamente, terá de ter bom trânsito com a oposição. Garibaldi Alves (PMDB-RN) é apontado nos bastidores como um dos nomes que se encaixaria nesse perfil.

- Só lançaremos candidato se o sucessor de Renan fugir a esse perfil. Caso contrário, vamos acatar a indicação do PMDB. A instituição está na UTI. Uma disputa poderia agravar esse quadro - disse Virgílio.

Para Viana, discussão sobre sucessão é inoportuna

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), diz que a discussão é inoportuna:

- Temos que recuperar a imagem e a credibilidade do Senado. E nada melhor para isso do que dialogar e votar. De mim, não haverá tal pretensão. Temos que respeitar o presidente Renan até que haja o julgamento. Renan é o presidente afastado, que pode voltar a qualquer momento ou em 45 dias.

A Mesa decidiu ontem que o plenário deve votar amanhã projeto de resolução que estabelece que parlamentares que estejam sob investigação no Conselho sejam afastados dos cargos de comando nas comissões ou na própria Mesa a partir de janeiro de 2008. Outro projeto permite que os pedidos de investigações sejam encaminhados diretamente ao Conselho.

COLABOROU Cristiane Jungblut