Título: Empresários protestam e pedem corte de gasto público
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Fonte: O Globo, 18/10/2007, Economia, p. 35
FIM DE UM CICLO: Decisão frustra o setor produtivo.
Sindicalista diz que faltou ousadia ao Banco Central.
As entidades empresariais e sindicais protestaram contra a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter os juros básicos da economia em 11,25% ao ano. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que os empresários receberam a notícia com "pesar". Para o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, a decisão do Copom "é especialmente frustrante, dado que o aumento da inflação nos últimos meses ocorreu por pressões pontuais e não de forma disseminada, sem ameaçar, portanto, o cumprimento da meta de inflação. Ele se refere ao aumento no preço de leite e derivados em julho e agosto.
Segundo a CNI, o mais importante seria reduzir os gastos públicos. Essa é a mesma preocupação da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Para a Fiesp, essa decisão mostra que o Copom não consegue perceber que a demanda não está provocando inflação.
"Mais uma vez nos decepcionamos com a falta de entendimento da realidade demonstrada pelo Copom. Isso custa caro ao setor produtivo e à sociedade brasileira", afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.
Em relação à manutenção dos juros, os sindicalistas se unem aos empresários nos protestos contra a decisão do Banco Central. A Força Sindical considerou nefasta a parada nos cortes e, para o presidente da central, Paulo Pereira da Silva, a medida vai causar efeito negativo no setor produtivo.
"A medida do Copom frustra os trabalhadores que tinham expectativa de um grande corte. Mantendo os juros básicos num patamar proibitivo, o governo sinaliza com um cenário impróprio para o setor produtivo, gerador de novos postos de trabalho. Infelizmente, faltou ousadia na decisão do Copom", diz Paulinho.
No comércio, as queixas se multiplicam
Um dos setores mais beneficiados pela queda de juros, o comércio varejista ficou decepcionado com a interrupção da redução dos juros básicos. Orlando Diniz, presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), fez as contas e calculou que a manutenção dos juros nos patamares atuais, em comparação com uma redução de meio ponto percentual, "significa que o governo deixa de economizar já no primeiro mês de pagamento do serviço da dívida cerca de R$3 bilhões, bem mais que o programado para a urbanização de favelas no Estado do Rio de Janeiro (R$1,7 bilhão). Tudo isso justificaria a continuidade da redução dos juros no Brasil, e não a sua interrupção", reclama Diniz.
No comércio paulista, as críticas se repetem. Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio paulista, rebate o argumento dos defensores da manutenção dos juros de que a demanda interna está muito aquecida e, portanto, justificaria a decisão do Copom:
"O crescimento ainda é tímido, e as pressões de demanda ocorrem em setores localizados", disse.