Título: Após 6 dias de alta, petróleo cai para US$ 87,4
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 18/10/2007, Economia, p. 41
Tensão aumenta no Iraque, mas Opep indica que pode elevar produção e faz preço recuar.
NOVA YORK e LONDRES. Depois de atingir US$89 na máxima do dia, o barril de petróleo leve americano (WTI) teve leve queda ontem. A cotação fechou em US$87,40, a primeira baixa após seis dias de alta. O que segurou o nervosismo do mercado foi o anúncio de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não descarta elevar a produção para conter a escalada de preços. A organização também afirmou que poderá antecipar sua reunião para debater o assunto para o próximo dia 17 de novembro.
O petróleo leve americano caiu US$0,21 em relação ao dia anterior. O tipo Brent, referência para a Bolsa de Londres, também caiu, para US$83,13. Desde a semana passada, o preço do barril subiu 10% devido ao enfraquecimento do dólar, à expectativa de maior demanda pelo combustível com a proximidade do inverno americano e à iminência de um conflito entre Turquia e rebeldes curdos no Norte do Iraque.
Ontem, o Parlamento turco autorizou o uso da força militar contra os curdos, o que contribuiu para elevar a cotação do petróleo para US$89 ao longo do dia, pouco abaixo do recorde de US$90,46 registrado em 1980, considerando valores ajustados pela inflação. O nervosismo no mercado foi acentuado pelas declarações do presidente americano, George W. Bush, de que os dirigentes internacionais deveriam impedir o Irã de produzir armas nucleares para evitar uma terceira guerra mundial.
FMI prevê demanda maior que oferta em 2007 e 2008
A reunião da Opep está oficialmente marcada para 5 de dezembro, na Arábia Saudita. A entidade já havia anunciado que elevaria em 500 mil barris diários o volume de produção de petróleo, a partir de 1º de novembro, para ajudar a baixar os preços. A notícia de que a oferta poderia crescer ainda mais foi dada pelo ministro de Petróleo da Nigéria, Odein Ajumogobia, um dos principais produtores.
O cenário desperta preocupação de governos, organismos internacionais e analistas. Ontem o governo americano divulgou aumento acima do esperado de seus estoques de petróleo na semana passada. Ainda assim, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Sam Bodman, afirmou que os preços altos são uma "grande preocupação". Perguntado se o país deveria mudar sua política de reservas emergenciais de petróleo, porém, Bodman respondeu "não agora".
Em documento sobre projeções para o crescimento da economia global em 2008, divulgado ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que os preços da commodity permanecerão nos níveis recordes atuais, "se não houver mudanças na política de cotas da Opep ou uma grande desaceleração global". O organismo internacional espera que a demanda, em 2007 e 2008, supere o crescimento da produção.
A consultoria Merrill Lynch divulgou relatório em que prevê preços no patamar de US$100. O cálculo foi feito com base em pesquisa com 209 gerentes de fundos ao redor do mundo. Mas o diretor de pesquisas mundiais de commodities da consultoria, Francisco Blanch, procurou evitar o pânico.
- A probabilidade dos US$100 existe. Mas é apenas uma barreira psicológica - avaliou Blanch, que projeta piso de US$60 dólares para os próximos seis a 12 meses.