Título: Fim de cortes nos juros derruba dólar: R$1,788
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 19/10/2007, Economia, p. 29
BC compra US$470 milhões, mas aumento no fluxo de investimentos estrangeiros faz moeda cair 1,92%.
A manutenção da taxa básica de juros (a Selic) em 11,25% ao ano na última quarta-feira elevou ontem o fluxo de recursos estrangeiros para o país e empurrou o dólar para o seu menor patamar em sete anos. A moeda fechou em queda de 1,92% e ficou abaixo de R$1,80: R$1,788, o menor valor desde o dia 31 de julho de 2000, quando a divisa encerrou a R$1,785. Nem mesmo a compra mais forte de dólares feita pelo Banco Central (BC) segurou a cotação. De acordo com estimativas de analistas, a autoridade monetária comprou cerca de US$470 milhões, valor bem superior à média dos leilões dos últimos dias, entre US$70 milhões e US$200 milhões
Segundo Mario Paiva, da corretora Liquidez, e Mariana Gonçalves, analista de renda variável da Global Equity, houve forte entrada de recursos externos para investimentos financeiros porque o Brasil manteve a elevada diferença de juros em relação aos Estados Unidos, que reduziram sua taxa básica no mês passado em 0,5 ponto percentual, para 4,75% ao ano. O BC fez o leilão às 12h27m e comprou dólares a R$1,8084. No momento, a divisa era negociada a R$1,805.
Lucro do Bank of America cai 32% no terceiro trimestre
Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ficou em queda quase todo o pregão, mas acabou fechando em leve alta de 0,11%, aos 63.261 pontos. Em Nova York, o Dow Jones e o S&P fecharam em baixa de 0,03% e 0,08%, respectivamente. O Nasdaq registrou valorização de 0,24%. O risco-Brasil avançou 4,38%, para 167 pontos centesimais.
O clima começou tenso nas bolsas logo após o Bank of America, segundo maior grupo financeiro dos Estados Unidos, divulgar queda de 32% no lucro líquido no terceiro trimestre, para US$3,7 bilhões. No período, a instituição reportou perdas de US$1,4 bilhão em seu banco de investimentos e ainda fez uma provisão de US$2 bilhões para a área de crédito, afetada com a crise das hipotecas de alto risco ( subprime).
Investidores aproveitaram ações baratas, diz analista
Os ânimos pioraram quando o Departamento do Trabalho americano anunciou que os Estados Unidos tiveram 337 mil pedidos de seguro-desemprego na semana passada, ou 28 mil a mais do que a marca registrada uma semana antes. O aumento, o mais expressivo desde fevereiro, superou as expectativas dos analistas.
- O pedido de seguro-desemprego é um termômetro da atividade. O número indica que a economia segue em desaceleração, aumentando as expectativas de um corte nos juros por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) - diz Mariana, da Global Equity.
Segundo Ures Folchini, vice-presidente de Tesouraria do WestLB, os mercados começaram a virar próximo ao fim do encerramento, pois os investidores compraram ações para aproveitar o preço baixo.
- O fechamento do câmbio pegou a virada nos mercados, por isso a queda da moeda ganhou força. O mercado foi bem volátil, sem uma tendência definida - ressalta Folchini, que acredita que a moeda fechará em R$1,70 este ano.
(*) Com agências internacionais