Título: Novo tipo de dengue ronda o país
Autor: Brígido, Carolina
Fonte: O Globo, 20/10/2007, O País, p. 3

Ministério da Saúde teme que Den 4 cruze fronteiras e agrave epidemia da doença.

OMinistério da Saúde está preocupado com o risco de chegar ao país um novo sorotipo da dengue, denominado Den 4. Trata-se de uma variação do vírus da dengue com o qual os brasileiros ainda não tiveram contato, mas que já se manifestou em países que fazem fronteira com o Brasil, como a Venezuela. Como não se pode eliminar o risco, o Ministério da Saúde tem feito o controle de casos da doença para detectar eventuais ocorrências do Den 4, que pode ser trazido por turistas contaminados ou mosquitos transportados em cargas.

O governo federal já reconhece que há uma epidemia de dengue no país hoje, mas, se o Den 4 conseguir cruzar a fronteira brasileira, a situação epidêmica pode ficar ainda mais grave. Apesar de todo o território nacional estar em perigo, existe atenção especial do governo com o Rio de Janeiro, um dos principais destinos turísticos do país.

- Cerca de 40% dos turistas estrangeiros que passam pelo Brasil vão para o Rio de Janeiro - lembra o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta.

Outra peculiaridade do Rio são as pessoas nascidas a partir da década de 90. Essa parcela da população ainda não entrou em contato com o sorotipo Den 1, que começou a circular no estado em 1986. A imunidade em relação a um sorotipo só acontece após o contato com ele.

Três tipos de vírus conhecidos no país

Três sorotipos da doença já são conhecidos dos brasileiros: o Den 1, o Den 2 e o Den 3. Atualmente, mais de 90% das pessoas que adquirem dengue são contaminadas pelo terceiro tipo de vírus. No entanto, em Belo Horizonte, nunca houve epidemia causada pelo Den 3. Por isso, a população está suscetível a esta variação da doença, e a cidade foi eleita prioridade do governo no próximo verão.

- A região metropolitana de Belo Horizonte é preservada em relação ao Den 3. Lá não teve epidemia. São quase 5 milhões de pessoas sem imunidade a esse sorotipo. Por isso, é nossa prioridade - declarou Pimenta.

O secretário explicou que as oscilações de ocorrência da doença são esperadas. Normalmente, quando um novo sorotipo chega ao Brasil, as contaminações atingem o ápice um ano depois. No ano seguinte à epidemia, as ocorrências diminuem, porque boa parte da população já está imunizada pelo contato com aquele sorotipo da doença. Foi o que aconteceu em 1990, por exemplo, quando o Den 2 chegou ao país. Houve 39,3 mil casos registrados. Em 1991, o número subiu para 104,3 mil casos e, no ano seguinte, caiu para 1.600 casos.

- O aumento da dengue ocorre pela própria força de transmissão do vírus. Quando diminui o número de casos, é muito mais pelo próprio ciclo da doença do que por ações do poder público - admite Pimenta.

Picos de casos também podem acontecer quando aumenta o deslocamento de pessoas contaminadas entre cidades. É o que foi observado a partir de 1993, quando foram registradas 7.300 contaminações. O crescimento foi constante até 1998, quando 528,3 mil brasileiros tiveram dengue.

Fabiano Pimenta explicou que o número de mortes cresceu em maior proporção recentemente porque a população está mais frágil. Para ele, as mortes mais numerosas são de pessoas que já entraram em contato com mais de um sorotipo. Em 2002, houve 150 óbitos por dengue no país. Em 2004, foram oito. Neste ano, as vítimas fatais da doença, até setembro, já somam 121.

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