Título: Lula promete tudo contra crise
Autor: Nunes, Vicente
Fonte: Correio Braziliense, 16/04/2009, Economia, p. 19
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem, durante a abertura do World Economic Forum na América Latina, a possibilidade de o governo anunciar novas medidas para estimular a economia, caso a reação da atividade não seja suficiente para recolocar o país na rota do crescimento. Ele não quis adiantar as medidas, mas frisou que ¿a crise é real¿ e ¿é preciso estancá-la¿ para que o país volte a crescer. ¿O Brasil vem fazendo a sua parte, mantendo políticas econômicas consistentes. Temos um programa de infraestrutura (o Programa de Aceleração do Crescimento, PAC) que movimentará US$ 645 bilhões até 2011, liberamos R$ 100 bilhões em depósitos compulsórios e acabamos de lançar um plano de habitação¿, disse. ¿Vamos fazer qualquer coisa para que o país não volte à estagnação das décadas de 1980 e 1990¿, acrescentou.
Segundo o presidente, o fato de o governo estar agindo para minimizar os estragos da crise no Brasil mostra que ele nunca cedeu ao dogma do Estado mínimo que prevaleceu no século passado. ¿Não quero um Estado empresário nem um Estado gerenciador, mas um Estado indutor e fiscalizador¿, disse. Lula destacou ainda que os empresários não devem suspender seus investimentos, ¿porque o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) tem dinheiro¿ para financiá-los neste momento de escassez de crédito. O presidente do banco, Luciano Coutinho, ressaltou, por sinal, que cerca de 20 grandes empresas que tiveram problemas depois da crise conseguiram se reestruturar e apenas duas ainda precisam se ajuda.
Sinais Por causa dessa reação, Lula demonstra otimismo. ¿O Brasil, que entrou por último na crise, vai sair primeiro e mais fortalecido¿, disse ontem. Na opinião do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a economia mostrará sinais efetivos de crescimento ao longo do segundo semestre. ¿Temos visto sinais importantes de reação da economia¿, destacou. ¿A indústria foi mais afetada pela crise. Mas o setor de serviços não sentiu tanto. O varejo já iniciou a recuperação. Nos supermercados e hipermercados não se vê sinais de crise, as vendas estão estáveis¿, afirmou. Além disso, em março, houve criação de mais de 30 mil empregos formais. ¿É importante que o mercado de trabalho continue se recuperando para que o Brasil saia da crise mais rápido¿, assinalou.
Para Meirelles, os indicadores positivos da economia tendem a levar os investidores estrangeiros a continuarem seus investimentos no país e a trazerem recursos novos. ¿São poucos os países do mundo hoje em que há a garantia do retorno dos investimentos¿, frisou. A seu ver, esses investimentos são fundamentais.
O Brasil, que entrou por último na crise, vai sair primeiro e mais fortalecido
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
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