Título: Proposta divide o partido: Jutahy é contra; Guerra diz que pode adotá-la
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 21/10/2007, O País, p. 15
Tucanos ainda torcem para que governadores formem chapa puro sangue.
BRASÍLIA. Como o PSDB deverá eleger sua próxima executiva nacional no fim de novembro, o deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA) pondera que seria melhor que o atual presidente, o senador Tasso Jereissati (CE), deixasse esse assunto para ser arbitrado pelo novos dirigentes do partido.
- Esse é um tipo de assunto que deveria ser discutido pela nova executiva nacional. Não tenho nada a favor ou contra a iniciativa do senador Tasso, mas o fato é que teremos eleições internas no PSDB no dia 22 de novembro. O melhor neste momento é esperar essa definição - diz Jutahy.
O senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), nome quase certo para suceder Tasso Jereissati no comando do partido, não se opõe à idéia de o PSDB testar a proposta nas eleições de 2008:
- Podemos fazer uma experiência em vários municípios para ver se dá certo. Se o resultado for positivo, podemos adotar a proposta nas eleições de 2010.
"Se o Serra ou o Aécio vetarem, isso a inviabiliza"
Jutahy, no entanto, considera impraticável que Serra e Aécio, governadores de dois estados importantes, abram mão dos últimos meses de gestão para se dedicar a uma cruzada no país em busca do apoio de correligionários nos diretórios estaduais e municipais para disputarem eleições primárias no PSDB.
- Como um governador justifica para seus eleitores o fato dele ter de largar suas atribuições para fazer campanha em outros estados? Isso seria muito complicado.
Na avaliação do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), a proposta de Tasso só terá viabilidade se os dois candidatos do partido à Presidência concordarem com esse critério.
- Essa é uma boa idéia, mas ela só pode ser adotada se for para agregar, unir o partido. Se o Serra ou o Aécio vetarem, isso a inviabiliza - observa.
Por enquanto, Serra e Aécio têm evitado comentar publicamente suas pretensões para 2010, embora estejam se movimentando nos bastidores a fim de consolidar seus nomes para a sucessão de Lula. Há uma torcida grande no partido para que eles se acertem e, quem sabe, fechem uma chapa puro sangue. As pesquisas de opinião indicam uma vantagem do governador paulista em simulações feitas até agora. Além de governar o maior estado do país, ele é mais conhecido nacionalmente do que Aécio por já ter disputado as eleições de 2002, quando foi derrotado por Lula.