Título: Tasso quer prévia para candidato a presidente
Autor: Vasconcelos, Adriana
Fonte: O Globo, 21/10/2007, O País, p. 15
Presidente do PSDB tenta evitar disputa interna entre Aécio e Serra, como ocorreu com este e Alckmin em 2006.
Adriana Vasconcelos
BRASÍLIA. Não é só o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que começou a especular sobre o cenário das eleições de 2010. Os tucanos também já estão discutindo critérios para escolher seu próximo candidato à Presidência. Diante do interesse de duas das principais estrelas da legenda nessa disputa, os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), está disposto a propor, na próxima reunião da executiva nacional, que vire regra no partido a realização de eleições primárias toda vez em que mais de um candidato se apresentar para uma mesma disputa.
- Minha idéia é fazer um teste nas eleições municipais do próximo ano. Pelo menos uma capital, João Pessoa, já topou realizar primárias para definir o candidato do partido à prefeitura. Se der certo, isso pode virar regra no partido para que possamos administrar disputas internas - antecipa Tasso.
A inspiração de Tasso veio das dificuldades que enfrentou na última campanha eleitoral, quando Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin travaram um duelo interno no partido em busca da vaga de candidato a presidente da República. A disputa deixou seqüelas. A definição do candidato teve de ser feita pela cúpula do partido e rachou as bases tucanas. Isso acabou provocando um impacto negativo na campanha de Alckmin. A proposta, no entanto, está longe de ser um consenso entre os tucanos.
"Prévia ou eleição primária é estímulo à disputa"
O deputado Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA), um dos principais aliados de Serra na Câmara, por exemplo, questiona a iniciativa de Tasso, com quem teve uma briga duríssima na campanha passada por ter se recusado a reproduzir na Bahia a aliança nacional que dava sustentação à candidatura de Alckmin com o antigo PFL, atual Democratas. Naquela época comandado então por um de seus maiores adversários políticos, o senador Antonio Carlos Magalhães.
- Não temos como dimensionar as conseqüências de uma proposta dessas, que, em vez de pacificar o partido, poderá ampliar a divisão interna. Prévia ou eleição primária é estímulo à disputa - discorda Jutahy.
Para o deputado baiano, nenhum candidato do PSDB à Presidência da República foi escolhido dessa forma.
- Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin foram escolhidos de maneira consensual pelo partido. No Brasil, nós não temos tradição de prévias. O estatuto do partido estabelece que o modelo para a escolha de seus candidatos é a convenção - acrescenta.