Título: Maiores bancos do mundo: Brasil deveria entrar no G-7
Autor: Passos, José Meirelles
Fonte: O Globo, 22/10/2007, Economia, p. 17

Índia, China e Rússia também seriam "indispensáveis".

WASHINGTON. Durante a sua assembléia anual, paralela à reunião também anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), na capital americana, os maiores bancos do mundo solicitaram ontem publicamente aos sete países mais ricos que abram as portas de seu fechado clube, o G-7, para o Brasil e mais três potências emergentes.

O pedido foi feito pelo Institute of International Finance (IIF), do qual fazem parte os 370 bancos mais importantes do mundo:

- Brasil, Índia, China e Rússia devem se juntar definitivamente ao G-7, para formar o G-11. Esses quatro países são indispensáveis à mesa, para aumentar as perspectivas de que esforços multilaterais para acabar com os desequilíbrios tenham êxito - disse o vice-presidente do IIF, Bill Rhodes, que também é presidente do Citibank, durante o evento em Washington.

A entidade já tinha feito tal sugestão dois anos atrás. Ontem, no entanto, Rhodes disse que a atual crise de crédito no mercado global, provocada pelos Estados Unidos, serve para demonstrar que não há mais como adiar a ampliação do G-7:

- Afinal, apesar da crise, a economia mundial está crescendo graças justamente aos países emergentes. Eles é que estão sustentando o equilíbrio dos mercados financeiros - disse Rhodes, mais tarde, ao GLOBO.

"O dinossauro se moveu", diz ministro sobre FMI

Josef Ackerman, presidente do conselho de diretores do IIF e do Deutsche Bank, reforçou:

- Há lições que os países industrializados precisam aprender com os mercados emergentes. Está na hora de reconhecer que estamos vivendo num mundo diferente.

No fim da manhã de hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vai conversar com o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, exatamente a respeito dessa aspiração do Brasil. Ele se reuniu no sábado com os ministros da Índia, da China e da África do Sul (o chamado G-4) para traçar uma estratégia de pressão para a ampliação do G-7 - que, na visão do Brasil, poderia ser G-12 (incluindo o G-4 e a Rússia).

- Hoje nós participamos do G-7 só de maneira marginal. Eles nos convidam só para o antepasto, e saímos na hora do jantar. O que nós queremos é jantar também, e inclusive escolher o cardápio - disse Mantega.

O ministro justificou tal pretensão dos emergentes:

- O nosso papel é mais importante hoje. Contribuímos mais para o crescimento mundial. Os países avançados crescem no máximo 2,5%, e nós, emergentes, temos taxas maiores de crescimento. Temos responsabilidade econômica e política maior e, portanto, temos que ter uma representatividade maior tanto no FMI quanto no G-7.

O Brasil reconheceu que a proposta do Fundo de redistribuir entre os países em desenvolvimento 10% de participação na instituição é um avanço, ainda que não seja ideal. Mantega destacou que a proposta significa que a instituição está disposta a mudar, ainda que a passos lentos:

- O dinossauro se moveu - disse a jornalistas.

Investimento direto: US$25 bi previstos em 2008 no Brasil

Na assembléia, os banqueiros privados anunciaram sua previsão de investimentos direitos para a América Latina em 2008. Os fluxos devem chegar a US$88,1 bilhões. A maior parte desse dinheiro - quase um terço - deverá ser injetada no Brasil. Isso seria o equivalente a aproximadamente US$25 bilhões. Além disso, eles prevêem uma aceleração no crescimento da demanda interna no Brasil este ano para 6,6% (contra os 5,1% de 2006).

(*) Com agências internacionais