Título: Zuanazzi enfrenta Jobim e diz que fica na Anac
Autor: Motta, Cláudio e Gripp, Alan
Fonte: O Globo, 23/10/2007, O País, p. 5

Ministro da Defesa evita o confronto e não adianta o que fará se diretor continuar resistindo: `Cada coisa a seu tempo¿.

RIO e BRASÍLIA. Num sinal de que está disposto a resistir à pressão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para que deixe o cargo, o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, disse ontem no Rio que ficará na diretoria colegiada da Anac mesmo depois que os outros quatro diretores indicados por Jobim assumirem, e os quadros da diretoria forem recompostos.

Zuanazzi disse não ver qualquer problema em trabalhar com Solange Vieira, a indicada por Jobim para assumir a presidência da Anac. Dos cinco diretores, Zuanazzi é o único ainda no cargo. Sua decisão de resistir à pressão cria um problema para Jobim, que já indicou os nomes de outros quatro diretores e terá de esperar a renúncia de Zuanazzi para poder indicar Solange. A Anac, por estatuto, só tem cinco diretores.

¿ Fiquei sozinho. Se saísse, vocês teriam que pedir uma ação criminal contra mim: não podemos ficar sem uma autoridade aeronáutica. Meu mandato é de diretor, quem escolhe e substitui o presidente da Anac é o presidente Lula. Não tenho problema algum em trabalhar com quem quer que seja. O interesse público está acima de tudo ¿ disse Zuanazzi.

Em Brasília, Jobim evitou entrar em confronto com Zuanazzi, mas deu a entender que aguarda seu pedido de demissão. Segundo ele, isso só não aconteceu porque apenas um dos quatro indicados foi aprovado pelo Senado, o brigadeiro Allemander Pereira Filho, cuja nomeação saiu ontem no Diário Oficial:

¿ O problema é que ele (Zuanazzi) só poderá sair quando tiver três (diretores nomeados). Temos um que já foi indicado e dois que serão sabatinados no Senado (Marcelo Guaranys e Alexandre Barros). O Senado tem um timing demorado.

Jobim disse que Zuanazzi tem um acordo com o governo para deixar a presidência da Anac:

¿ Foi a manifestação feita ao ministro Walfrido (Mares Guia, das Relações Institucionais).

Jobim evitou dizer o que fará se Zuanazzi resistir:

¿ Cada coisa a seu tempo.