Título: Recursos para estimular exames de HIV e sífilis
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Fonte: O Globo, 25/10/2007, O País, p. 5

Ministério da Saúde quer atingir gestantes.

BRASÍLIA. A cada ano, cerca de 12 mil bebês contraem sífilis, e outros 500 são infectados pelo vírus HIV, simplesmente porque suas mães não foram submetidas a exames preventivos nem a tratamento durante a gestação. Na tentativa de mudar o quadro e reduzir a chamada transmissão vertical quase a zero, o Ministério da Saúde anunciou ontem metas até 2011, com repasses adicionais de R$16 milhões ao ano para estados e municípios.

O objetivo é garantir que, até 2011, 90% das gestantes façam exames de HIV e de sífilis antes do parto. Hoje esse percentual é de 62%, no caso do HIV, e de 75%, no da sífilis. Como 96% das brasileiras têm acesso ao pré-natal, fica claro que a qualidade do serviço deixa a desejar.

- Falta um maior empenho dos profissionais de saúde. (...) Falta conscientização das gestantes - disse a diretora do programa nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, Mariângela Simão.

Sem prevenção, 25% das gestantes infectadas transmitem as doenças aos filhos antes, durante ou após o parto. Com tratamento, a taxa pode cair para 1%, em relação ao HIV, e menos de um caso para cada 1.000 bebês nascidos vivos, em relação à sífilis.

Segundo o ministério, os gastos por paciente em tratamento da sífilis podem ficar abaixo de R$2. O órgão estima que, a cada ano, surjam 957 mil novos casos da doença no Brasil, atingindo 48 mil grávidas, o equivalente a 1,6% das gestantes por ano.

A prevalência da sífilis é quatro vezes maior do que a do HIV, que afeta 0,41% das grávidas. Em 2005, foram registrados 530 transmissões verticais de HIV. Em 1996, o número era bem maior: 1.091. Segundo o ministério, foram notificados 5.710 casos de sífilis em 2005, mas estima-se que o número seja de 12 mil, por causa da subnotificação.

A meta do governo é ampliar de 1,4 milhão para 2,3 milhões ao ano o número de exames de HIV e de 2,1 milhões para 4,8 milhões o de sífilis.