Título: Cardiologistas querem se descredenciar do SUS
Autor:
Fonte: O Globo, 25/10/2007, O País, p. 5

Médicos de Fortaleza, paralisados desde julho, reivindicam complementação à tabela.

FORTALEZA. O atendimento aos doentes cardíacos, que há quatro meses sofrem com uma greve dos cirurgiões cardiovasculares de quatro hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará, pode ficar ainda pior. Insatisfeitos com o valor dos procedimentos pagos pela tabela do SUS, 20 dos 24 médicos que atendem nesses locais decidiram, em assembléia, encaminhar à Secretaria municipal de Saúde pedido de descredenciamento. Se isso ocorrer, Fortaleza poderá ficar sem cardiologista credenciado ao SUS. A paralisação não se estendeu aos hospitais públicos do estado e do município.

Eles querem que a prefeitura e o governo estadual paguem uma complementação à tabela do SUS. Alegam que o reajuste médio de 30% concedido pelo Ministério da Saúde é insuficiente para remunerar com dignidade a categoria, que toma como parâmetro os valores sugeridos pela Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Segundo Haroldo Brasil, representante dos cardiologistas, mesmo após a correção, a tabela do SUS representa em média 17% da CBHPM e eles reivindicam 70%.

Também insatisfeitos com os valores pagos pelo SUS, 60 anestesistas da rede privada e filantrópica conveniadas encaminharam pedidos de descredenciamento e paralisaram o atendimento há cerca de um mês.

Desde julho, os cardiologistas vinham atendendo apenas os casos de urgência, e pelo menos 60 pacientes deixaram de ser atendidos por mês pela rede credenciada.