Título: Em 2010, o Japão é que será ameaçado
Autor: Scofield Jr., Gilberto
Fonte: O Globo, 26/10/2007, Economia, p. 25

Enquanto isso, Brasil pode perder 10ª posição para a Rússia.

O crescimento acelerado da China, acima de 10% anuais, combinado com a estagnação de décadas do Japão, poderá mudar mais ainda o ranking entre as cinco maiores economias do mundo. A China, que avançou rapidamente, desbancando França, Reino Unido e Alemanha, poderá ameaçar a segunda maior economia do mundo em três anos, pelas contas do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini:

- Se não for em 2010, em 2011 a China já será uma economia maior que a do Japão.

E o avanço chinês foi a passos largos e rápidos. Agostini calcula que a China tinha uma participação pequena no Produto Interno Bruto (PIB) mundial na década de 80. Limitava-se a 2,4%, enquanto a Alemanha já detinha 6,4% da economia global. Vinte anos depois, em 2000, já respondia por uma parcela de 5,1%. Para este ano, a estimativa é que a China tenha uma participação de 6,1%, ainda inferior à fatia da Alemanha, de 6,2%.

- Em 2008, isso muda. A China ficará com 6,5% do PIB mundial, enquanto o país germânico, com 6%. Ou seja, quase o triplo em pouco mais de 20 anos.

Já o Brasil, outro país emergente, vai no sentido contrário da China. Depois de ter avançado mais no ranking das grandes economias, subindo de 12º PIB em 2004 para 10º este ano, o Brasil corre o risco de perder posições em 2008. A Rússia seria a primeira economia a ultrapassar o Brasil. A expansão maior do PIB russo seria a responsável por essa mudança no ranking. Pelas contas do FMI, a Rússia deve crescer 7% este ano e 6,5% em 2008. Já o Brasil, pelas projeções do Fundo, aumentaria seu PIB em 4,4% em 2007 e 4% em 2008. Já em 2010, seria a vez de a Índia ultrapassar o Brasil. O avanço indiano ainda é mais forte. As projeções são de 8,9% este ano - mais que o dobro do Brasil - e 8,4% em 2008.

- O que está mantendo o Brasil na décima posição este ano é o real valorizado. Além disso, a inflação na Rússia e na China é maior, favorecendo os dois países - diz Agostini.