Título: Demanda levou à decisão sobre juros
Autor: Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 26/10/2007, Economia, p. 26

Ata do Copom confunde mercado quanto a futuro da política monetária.

BRASÍLIA e SÃO PAULO. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, atribui à possibilidade de descompasso entre o consumo crescente e a oferta das indústrias a culpa pela interrupção, na semana passada, do ciclo de dois anos de queda da taxa básica de juros. A Selic foi mantida em 11,25% ao ano após 18 reduções. Porém, uma parte dos analistas considerou o documento vago, sem novidades nas observações feitas até então sobre o risco de repique inflacionário e o atual processo de reajuste de preços. Com isso, reforçou-se a percepção, relatada pelo GLOBO na semana passada, de que está falha a comunicação do Banco Central (BC) com o mercado.

Não à toa, as previsões sobre o futuro da política monetária vão desde uma retomada dos cortes, já em janeiro de 2008, como acredita o Itaú, até a opinião de que os juros não cairão até o fim do próximo ano, da equipe do ABN Amro. Todos concordam apenas que, no encontro do Copom de dezembro, a taxa básica não será alterada.

- Tirando os aspectos subjetivos, o que vimos na ata é exatamente o que vinha nas anteriores. Se não soubesse que houve a parada (nas reduções da Selic), pela ata de ontem eu diria que ele (BC) teria cortado novamente - afirmou Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do Itaú.

Outro sinal visto como trocado na ata foi o fato de o BC se dizer preocupado com pressões inflacionárias mas expressar confiança em que os indicadores de preços manterão baixas variações no futuro.

Segundo o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), os consumidores estão mais otimistas em outubro. O ICC teve alta de 3,5%, atingindo o maior nível da série histórica iniciada em 2005. O otimismo, no entanto, é mais forte entre os consumidores de maior renda.