Título: Médicos ficam no máximo um ano na equipe
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 28/10/2007, O País, p. 3

BRASÍLIA. Entre os cinco diferentes profissionais que atuam na equipe do Saúde de Família, o médico é o que dura menos tempo no grupo. Pesquisa do Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva (Nescom), da UFMG, revelou que 31,8% dos médicos do programa permanecem, no máximo, um ano na equipe. Os agentes comunitários, que são pessoas da localidade e que recebem dois salários mínimos de salário, ficam por um tempo maior. No primeiro ano, apenas 4,5% desistem do programa. Também fazem parte da equipe enfermeiro, técnico em enfermagem e dentista.

Para Sabado Girardi, responsável pela pesquisa do Nescom, os profissionais do Saúde da Família estão pouco protegidos pela lei. Ele considera alarmante que a debandada de médicos chegue a 30% no primeiro ano.

- É uma rotatividade alta. A cada ano é preciso esforço adicional para treinar novos médicos para o programa. É preciso tornar mais atrativo para o profissional a opção pelo Saúde da Família - disse Girardi.

O pesquisador afirmou que o médico que opta pelo Saúde da Família em regiões distantes ganha mais do que o que trabalha no programa no Sul e Sudeste, mas tem menos alternativas de trabalho.

- O Saúde de Família é seu único emprego no município. Ele não tem, ao contrário dos médicos de grandes cidades, possibilidade de outros serviços. Numa capital, o salário representa a menor parte na remuneração de um médico, que ganha com plantões e outros serviços - afirmou Girardi.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez uma radiografia do Saúde da Família, ano passado, e concluiu que a informalidade na relação de trabalho gera insegurança e é a maior causa da rotatividade do programa. Outro problema apontado pelo Ipea é a falta de formação específica do médico para trabalhar no programa. "Na sua maioria, são profissionais recém-formados ou em final de carreira. Sem formação específica para atuar no modelo assistencial", conclui o Ipea.