Título: Lula: indústria exaurida atrasa PAC na Petrobras
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Fonte: O Globo, 27/10/2007, Economia, p. 37
Capacidade esgotada de fornecedores da estatal atrapalha obras; governo estuda financiá-los.
Por gargalos na indústria, a Petrobras está com dificuldades para executar seus projetos de investimento previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Diante do aumento da demanda da indústria do petróleo, com a alta constante do preço do barril da commodity, os fornecedores não estão atendendo, no mesmo prazo, aos pedidos da companhia brasileira. O alerta foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ontem visitou o Cenpes, o centro de pesquisas da Petrobras, na Ilha do Fundão.
- Um problema grave, um desafio para os empresários, é que muitos fornecedores da Petrobras que antes podiam atender aos pedidos em 90 dias, cem dias, em 170 dias, hoje estão passando para 400 dias. A capacidade instalada dessas empresas se exauriu e elas, obviamente, vão precisar construir uma nova fábrica ou aumentar a fábrica já existentes - disse o presidente.
Segundo Lula, "depois que formos a Zurique trazer definitivamente a Copa do Mundo para o Brasil em 2014", a Petrobras fará reuniões com os principais fornecedores de peças que têm escassez:
- Vamos anunciar programas do governo com financiamento para que essas empresas possam aumentar sua capacidade produtiva e atender a uma demanda brasileira e mundial que cada vez é mais crescente.
Essa falta de peças poderá fazer os projetos que inicialmente estavam previstos para dois anos levarem dois anos e meio, três anos, disse Lula:
- Então, enquanto temos tempo, vamos cuidar disso.
Uma reunião entre Lula e a diretoria da Petrobras ontem suscitou suspeitas de que o presidente estava discutindo mudanças no comando da companhia, para fazer frente aos acertos políticos. Mas isso foi negado por Lula:
- Isso (PAC) é que eu vim discutir com a diretoria da Petrobras. E não discuti a substituição de nenhum deles. O dia em que eu quiser discutir isso, eu chamo o José Sergio (Gabrielli, presidente da companhia) a Brasília e não venho à Petrobras para isso. Não iria fazer uma reunião de diretoria só para propor a troca de diretores.
Outro problema que entrou na pauta da reunião, que durou mais de duas horas, foi o gasoduto que liga Campinas e o Rio. Faltando apenas 600 metros para a conclusão do empreendimento, um proprietário pediu 20 vezes mais por um terreno, o que também está atrasando as obras.
Lula faz brincadeira com álcool combustível e bebida
O presidente citou, novamente, o bom momento da economia brasileira, com reservas de US$165 bilhões e maior geração de emprego e renda do trabalhador:
- O Brasil não pode desperdiçar essa oportunidade como já desperdiçamos outras. Eu tenho dito lá fora e aqui dentro que este século é o século do Brasil. Vocês viram que a crise americana não passou por aqui. Ela tentou chegar, bateu nos arrecifes que nós temos espalhados pelo litoral brasileiro e foi embora.
O presidente, durante a visita, aproveitou para fazer um trocadilho com o álcool, que numa unidade-piloto da Petrobras começa a ser feito com bagaço de cana. Ele disse que o aumento do uso do álcool combustível diminuiria a produção de bebida alcoólica.
- Vocês vão estar com o álcool tocando o motor de vocês, então vai diminuir a bebida pelo uso do álcool no motor do carro.