Título: Euro atinge patamar de US$1,44
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 30/10/2007, Economia, p. 23

Libra tem maior cotação em 26 anos e dólar canadense, em 47 anos.

FRANKFURT, LONDRES e NOVA YORK. O euro atingiu ontem mais um recorde frente ao dólar americano, que também recuou frente à libra e ao dólar canadense, devido à expectativa de mais um corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Este ano, a moeda única européia acumula valorização de 9%, segundo dados da Reuters.

No mercado europeu, o euro encerrou no patamar recorde de US$1,4404, em alta de 0,13%, tendo sido negociado a US$1,4438. Mais tarde, em Nova York, o euro avançou 0,2%, a US$1,4422.

A divisa americana também recuou frente a outras moedas. A libra encostou no seu maior patamar em 26 anos: US$2,0654, recuando depois para US$2,0612. A cotação intradiária foi a maior desde julho de 1981.

O dólar canadense, por sua vez, atingiu sua maior cotação frente à divisa americana desde março de 1960. O Canadá também foi ajudado pelo novo recorde do petróleo (US$93,53), um dos principais produtos de sua pauta de exportações. A moeda foi negociada a US$1,05. Este ano, acumula valorização de 22%. Se passar de US$1,0614 registrado em agosto de 1957, o dólar canadense atingirá seu maior patamar em cerca de 130 anos.

O ouro atingiu seu maior nível desde os anos 1980. A onça-troy (31,1g) avançou 0,65%, para US$792,60.

Investidor chama presidente do Fed de louco

Os investidores estão pessimistas em relação ao dólar, já que muitos analistas estão convencidos da necessidade de um novo corte de juros pelo Fed, a fim de brecar a deterioração do mercado imobiliário e prevenir uma recessão nos Estados Unidos. A reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) começa hoje e vai até amanhã. Espera-se uma redução de 0,25 ponto percentual, que levaria os juros de 4,75% a 4,50% ao ano.

Taxas de juros menores podem estimular a economia, mas prejudicam o câmbio porque os investidores transferem seus recursos para ativos de países que ofereçam um rendimento melhor. No mês passado, o Fed reduziu os juros em meio ponto percentual, devido à crise das hipotecas de alto risco (subprime).

¿Após uma série de discursos agressivos de representantes do Fed semana passada, estamos convencidos de que o Fomc (comitê responsável pela definição da taxa de juros) reduzirá os juros novamente¿, afirmaram em nota os economistas Harm Bandholz e Davide Stroppa, do HVB/UniCredit. Eles prevêem corte de 0,25 ponto percentual.

O vice-presidente do Fed, Donald Kohn, chegou a afirmar que o BC americano ¿precisava ser rápido¿ em relação à crise de crédito. Já Frederic Mishkin, membro do Fomc, disse semana passada que, até o momento, as medidas do Fed têm ajudado a aliviar a crise de crédito e melhorar a confiança do consumidor. Mas ressaltou que ¿o funcionamento dos mercados ainda não voltou ao normal¿.

Apesar de a grande maioria dos analistas apostar na queda dos juros amanhã, há vozes críticas. Para o investidor Jim Rogers, que fundou o Quantum Hedge Fund com o bilionário George Soros na década de 1970, o presidente do Fed, Ben Bernanke, é um louco que alimenta pressões inflacionárias. Semana passada, Rogers disse que os EUA já estavam em recessão.

¿ Temos um louco no comando do Fed, cujo maior objetivo é imprimir dinheiro ¿ disse Rogers à agência Bloomberg News. ¿ As pessoas vão querer tudo, menos o dólar.