Título: Bolsa bate novo recorde e dólar fecha a R$1,75
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 30/10/2007, Economia, p. 23
Expectativa de corte nos juros nos EUA e alta nas ações de Petrobras e Vale fazem Bovespa superar 65 mil pontos.
RIO e NOVA YORK. A expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) corte novamente os juros básicos - atualmente em 4,75% ao ano - na próxima quarta-feira levou otimismo aos mercados. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) bateu o 41º recorde do ano e fechou em alta de 1,2%, aos 65.044 pontos. Com a forte entrada de investimento estrangeiros no país, reflexo do início da negociação de ações da própria Bovespa, o dólar encerrou em queda de 0,79%, cotado a R$1,755, em seu menor valor desde o dia 11 de abril de 2000, quando marcou R$1,743. Nem a forte compra de moeda por parte do Banco Central (BC) surtiu efeito. Segundo analistas, a autoridade monetária comprou R$900 milhões, a R$1,756, mesmo valor com que a moeda era negociada no momento do leilão.
A previsão de redução dos juros americanos também derrubou a cotação do dólar frente ao euro. A moeda européia bateu recorde e superou, pela primeira vez, US$1,44. Dólar canadense e libra também subiram frente à moeda dos Estados Unidos. Isso ocorreu porque os investidores estrangeiros buscam alternativas mais rentáveis em outros países, já que a taxa menor nos EUA torna os títulos do país menos atraentes. O risco-Brasil ficou estável, aos 174 pontos centesimais.
- Há muita entrada de dólares no Brasil. Se o Fed baixar os juros em 0,25 ponto percentual, a moeda deve cair ainda mais - ressaltou Mário Paiva, da Liquidez DTVM.
Ações da Bovespa Holding caem 8,54%, para R$32
Nos EUA, o Nasdaq subiu 0,47%, Dow Jones, 0,46% e S&P, 0,37%. De acordo com analistas, a Bovespa não seguiu o cenário externo, porque foi puxada pela alta das ações da Companhia Vale do Rio Doce e da Petrobras. Os papéis preferenciais (PNA, sem direito a voto) da mineradora subiram 4,56% com a expectativa de que o reajuste do minério de ferro - cujas negociações começam na próxima semana - chegue a 40% para 2008. A alta do petróleo no mercado internacional e os rumores de que a Petrobras estaria comprando os ativos da Esso na América Latina fizeram as ações PN da estatal subirem 2,43%, para R$72,83 - recorde histórico. Ontem, os acionistas da Petrobras ratificaram, em assembléia, a compra da Suzano Petroquímica, em agosto deste ano por R$2,7 bilhões.
Em seu segundo dia de negociação na Bolsa, os papéis da Bovespa Holding caíram 8,54%, para R$32. Segundo analistas, o recuo foi pequeno, após a alta de 52% na sexta-feira. Para Mariana Gonçalves, analista de renda variável da Global Equity, muitos investidores preferiram manter o papel, já que apostam em mais altas. Ontem, as ações da Amil começaram a ser negociadas na Bolsa: os papéis ordinários (ON, com direito a voto) da empresa de saúde subiram 14,42%.
O mercado revisou para baixo suas estimativas de inflação. De acordo com o relatório semanal Focus do Banco Central (BC) divulgado ontem, a projeção do IPCA passou de 3,91% para 3,86% agora, mas a de 2008 foi mantida em 4,10%, abaixo do centro da meta do governo, de 4,5%. Na semana retrasada, o BC manteve a Selic em 11,25% ao ano. Há medo de que a oferta de produtos não corresponda à demanda crescente. Com os juros congelados, a tendência é que os custos dos empréstimos para os consumidores também parem de cair, inibindo o consumo e, conseqüentemente, a inflação.