Título: Na oposição, a líder também é mulher
Autor: Figueiredo, Janaína
Fonte: O Globo, 30/10/2007, O Mundo, p. 28

Carrió descarta nova candidatura à Presidência e promete ser adversária `perigosa¿.

BUENOS AIRES. Depois de ter disputado duas vezes a Presidência da Argentina, a líder da Coalizão Cívica, Elisa Carrió, anunciou ontem sua decisão de renunciar à briga pelo cargo máximo da nação, mas, também, de assumir o comando da oposição ao futuro governo da presidente eleita, Cristina Kirchner. Lilita, como é chamada pelos argentinos, venceu a eleição na capital do país e em cidades importantes, como Rosário, na província de Santa Fé, mas não conseguiu alcançar seu principal objetivo: impedir a vitória de Cristina no primeiro turno. Com o contundente triunfo da primeira-dama, a candidata da Coalizão Cívica decidiu dar novos rumos a sua carreira política.

¿ Não competirei mais pela Presidência da nação ¿ afirmou Carrió, que está à frente de uma coalizão integrada por setores do socialismo, de centro e também da esquerda.

E acrescentou, num claro tom de alerta ao futuro governo de Cristina Kirchner:

¿ Posso ser uma líder mais perigosa sem estar amarrada a cargos.

Carrió assegurou que continuará percorrendo o país ¿e poderia ser ministra de um futuro governo da coalizão, mas jamais estarei com eles (o casal Kirchner)¿.

¿ Nossa intenção é de que esta força, que hoje está nascendo, se amplie em todo o território. Estamos construindo para 2009 (ano em que será renovado parte do Congresso) e 2011 ¿ enfatizou a líder opositora.

Com o posicionamento da candidata derrotada, a Argentina caminha para um cenário dominado pelas mulheres: Cristina Kirchner na Casa Rosada, e Elisa Carrió na principal força opositora do país.

¿ Quero agradecer aos 26% de eleitores que votaram em nós; sem o roubo, teriam sido mais de 30% ¿ declarou a líder opositora, reforçando as denúncias apresentadas na véspera por seus colaboradores, sobre a suposta falta de cédulas de votação de partidos opositores em diversos lugares do país. ¿ Brigamos com as armas morais que temos. Eu não tenho estruturas de poder, sou uma mulher sem estruturas e sem maridos.

López-Murphy teve desempenho pífio

Apesar da derrota, a líder opositora tinha ontem motivos para comemorar. Sua coalizão ganhou espaço no Congresso e venceu em distritos importantes, como a capital do país. Outros opositores tiveram resultados amargos. Uma das maiores decepções foi o desempenho do ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy, que ficou em sétimo lugar, com 1,45% dos votos, superado até mesmo pelo cineasta Pino Solanas, quinto colocado, com 1,60% dos votos. (Janaína Figueiredo)