Título: Garibaldi lança candidatura à sucessão de Renan
Autor: Camarotti, Gerson
Fonte: O Globo, 31/10/2007, O País, p. 9

Senador surpreende líder do PMDB, que pediu aos peemedebistas que não deflagrassem a corrida sucessória.

BRASÍLIA. Foi deflagrada ontem a sucessão do presidente licenciado do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Numa reunião reservada da bancada do PMDB, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) anunciou que será candidato à sucessão de Renan. A iniciativa surpreendeu os peemedebistas. O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), chegara a pedir aos colegas que não iniciassem a corrida sucessória enquanto Renan estivesse no cargo, ainda que licenciado.

Nos bastidores, Renan já tinha dado sinal verde para que Raupp iniciasse a articulação de um acordo para que ele pudesse renunciar ao cargo em troca de salvar o mandato. Por isso, o líder passou a trabalhar nos bastidores uma solução rápida. Mas ontem foi direto:

- Gostaria que ninguém falasse no assunto da sucessão em respeito ao senador Renan Calheiros. Isso porque a cadeira de presidente do Senado não está vazia - disse Raupp.

Sarney afirma que não será candidato

Logo em seguida, Garibaldi pediu a palavra. Disse que respeita a solicitação de Raupp, mas fazia questão de lançar o seu nome como candidato:

- Eu quero ser candidato. Sigo as recomendações do líder. Mas quero deixar claro que vou colocar o meu nome e também não vou ficar chateado se outro senador entrar na disputa.

Garibaldi fez uma única ressalva. Ao ver que José Sarney (PMDB-AP) estava saindo da liderança do PMDB, pediu para que ele ficasse no local. Disse que a única possibilidade de retirar o seu nome seria se Sarney entrasse na disputa.

Sarney disse que não seria candidato em hipótese alguma. Preocupados com o rumo da reunião, alguns senadores presentes resolveram fazer um pacto de silêncio. Avaliaram que seria negativa a divulgação imediata de que fora deflagrado o processo sucessório. O pacto foi proposto por Raupp e pelo líder do governo, Romero Jucá (RR).

Renan pediu para influir na sucessão. Quer uma pessoa de confiança, que o ajude num eventual acordo pela sua absolvição em plenário. Inicialmente, seu grupo pensou em lançar a candidatura de José Maranhão (PMDB-PB), mas ele ficou enfraquecido com a notícia de que tem um rebanho de mais de 28 mil cabeças de gado. No fim de semana, passou a ser cogitado Edison Lobão (PMDB-MA). O problema é que ele é novato no PMDB. A maior resistência a Garibaldi vem do próprio Renan. O potiguar votou contra ele no processo de cassação.