Título: Pesquisadores tiram verba do bolso
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 04/11/2007, Economia, p. 34

Falta de recursos e centralização dificultam projetos.

BRASÍLIA e SÃO CARLOS. Apesar do protagonismo na evolução do agronegócio brasileiro e de manter laboratórios e escritórios no exterior, a Embrapa já viveu cenas de penúria. Em diversas ocasiões, pesquisadores tiraram recursos do bolso para sustentar os projetos.

Essa realidade foi vivida em 2002 pela equipe que cuidava, na Amazônia Oriental, do projeto Tipitamba, pesquisa que há 13 anos estuda a substituição do fogo no preparo de área para agricultura. Os pesquisadores precisaram comprar, por exemplo, lençóis da casa de apoio, em Igarapé Açu (a 200 km de Belém). Não havia verbas. A casa iria receber estudantes, lembra Tatiana Sá, diretora da Embrapa. As unidades da empresa no país têm o orçamento centralizado pelo Tesouro Nacional.

- A burocracia é cada vez maior, e as contas estão atreladas a controles rígidos - diz Nelson Novaes, chefe-geral da Embrapa Agropecuária Sudeste, de São Carlos, acrescentando que, para elevar as verbas, o principal instrumento são emendas parlamentares.

Evandro Mantovani, chefe da Diretoria de Gestão e Estratégia em Brasília, concorda. Valendo-se da Lei de Inovação, a Embrapa está prestes a criar uma empresa de propósitos específicos para, com a Fiesp, acelerar as pesquisas sobre a segunda geração do etanol. (Mônica Tavares e Ronaldo D"Ercole)