Título: Petróleo atinge US$96 mas recua 1%
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 02/11/2007, Economia, p. 28
Mercado teme desaquecimento na economia dos EUA, maior consumidor.
NOVA YORK e LONDRES. Os preços do petróleo fecharam ontem em baixa, depois de terem passado de US$96 no início do pregão, devido a preocupações com o desaquecimento da economia americana, o maior consumidor do combustível no mundo. O barril do tipo leve americano recuou 1,11%, para US$93,49, mas chegou a ser negociado ao valor recorde de US$96,24. O do tipo Brent caiu 1%, para US$89,72, depois de ter atingido US$91,71 - também recorde.
O recuo das cotações se deveu à queda dos mercados acionários, afetados pelo rebaixamento da recomendação para os papéis do Citigroup, o que renovou os temores sobre a crise de crédito. Além disso, dados divulgados ontem pelo governo americano, sobre produção industrial e gastos do consumidor, mostraram o desaquecimento da economia dos Estados Unidos.
Analistas do setor de energia ressaltaram também que houve um movimento de embolso de lucros, depois da valorização de cerca de 40% nos preços do petróleo desde agosto.
Opep atribui alta a especulação e dólar fraco
A recente disparada da commodity deixou os preços perto dos US$101,70, em valores ajustados pela inflação, correspondentes ao registrado em 1980, após a Revolução Iraniana.
Na quarta-feira, os preços haviam subido quase 5%, devido à queda nos estoques americanos de petróleo, de 3,9 milhões de barris.
- O patamar de US$96 mostra o pouco espaço de manobra nos mercados, especialmente às vésperas de um aumento da demanda - disse Robin Batchelor, da administradora de ativos BlackRock, referindo-se à proximidade do inverno no Hemisfério Norte.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) concordou em elevar, a partir deste mês, sua produção em 500 mil barris diários, mas rejeitou apelos por um aumento adicional. Os membros da Opep atribuem a alta a especulação, tensões políticas e dólar fraco.
- Não há carência de petróleo - disse o ministro de Petróleo do Qatar, Abdullah al-Attiyah. - (A alta) é conduzida pelo mercado, e o mercado está fora de controle.