Título: China reajusta gasolina
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 02/11/2007, Economia, p. 28
Preço de combustíveis sobe de 8% a 10%.
Gilberto Scofield Jr.
PEQUIM. Assustado com a falta de combustível nos postos de combustíveis das principais cidades chinesas na última semana, o governo da China anunciou ontem um aumento entre 8% e 10% no preço da gasolina, diesel e querosene de aviação, apesar do medo de alguns economistas de que isso possa pressionar a já alta taxa de inflação do país ¿ 6,2% em setembro. Há 17 meses o governo chinês não reajustava os combustíveis, apesar dos recordes do petróleo.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o Ministério do Planejamento chinês, afirmou em nota que o aumento médio de 500 yuans (US$67) na tonelada métrica dos combustíveis visa a ¿garantir o suprimento doméstico de combustível e promover a conservação de energia¿.
O descompasso entre os preços recordes do petróleo e uma política de subsídio ao consumo estavam fazendo o diesel sumir dos postos nas maiores cidades da China, especialmente Pequim e Xangai. Em Henan, na quarta-feira, um homem morreu em uma briga por ter furado a fila em um posto.
A falta de combustível resultou de uma queda-de-braço entre o governo e as estatais distribuidoras de combustíveis ¿ como Sinopec e Petrochina ¿, que se mostravam cada vez menos dispostas a pagar pela política de subsídios. Para tentar forçar um reajuste de preços, essas empresas cortaram as compras de combustíveis.
Pequim evitava o reajuste por não querer colocar lenha no fogo da inflação. A China é hoje é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo. No interior, onde a atuação de distribuidoras independentes é maior, a crise é mais grave, com postos recusando-se a abastecer veículos particulares, dando preferência a caminhões. Nos últimos anos, várias independentes fecharam.