Título: ONU: crianças do Chade não são órfãs
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Fonte: O Globo, 02/11/2007, O Mundo, p. 34

Entidades internacionais desmentem ONG francesa que ia levar 103 menores.

ABECHE, Chade. Três das mais respeitadas agências de ajuda humanitária do mundo confirmaram, ontem, que praticamente todas as crianças que seriam seqüestradas por uma ONG francesa no Chade não são órfãs nem estavam doentes. A informação veio no mesmo dia em que o presidente do país, Idriss Déby, disse esperar que tripulantes espanhóis e jornalistas franceses, que estão entre os 17 europeus presos no caso, sejam soltos.

Num comunicado conjunto, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Fundo da ONU para a Infância e a Adolescência (Unicef) e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) afirmaram que pelo menos 91 das 103 crianças entre 1 e 10 anos que seriam levadas para a França pela ONG Arca de Zoé ¿viviam com suas famílias, com pelo menos um adulto que elas consideram ser seu pai ou sua mãe¿. As outras 12 crianças ainda estão sendo entrevistadas.

¿ Elas não são órfãs nem estavam sozinhas no deserto no Chade. Estavam vivendo com suas famílias ¿ afirmou Annette Rehrl, representante do Acnur.

Seis membros da Arca de Zoé podem ser condenados a até 20 anos de trabalhos forçados no Chade, caso sejam condenados. Os demais 11 europeus envolvidos na operação, desmontada pela polícia do Chade depois de denúncia do governo francês, foram acusados de cumplicidade. O presidente Déby, porém, disse então que torce para que alguns deles sejam libertados:

¿ Espero que o sistema legal chadiano possa rapidamente lançar luz sobre a questão e que os jornalistas e os comissários de bordo sejam liberados logo.

Déby se referia a dois jornalistas franceses e a seis tripulantes espanhóis. Os dois pilotos (um espanhol e um belga) e um jornalista que ajudava na operação sem estar trabalhando como repórter devem ser julgados com o resto do grupo como cúmplices.