Título: Presidente garante fornecimento
Autor: Damé, Luiza; Oliveira, Eliane
Fonte: O Globo, 09/11/2007, Economia, p. 21
Ninguém colocou um tamborzinho de gás no carro porque quis", disse.
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou ontem que a população brasileira não será prejudicada pela crise no fornecimento da Petrobras. Ele reforçou a idéia de que a utilização do produto nos veículos será desestimulada - defendida há poucos dias por membros graduados do governo, como o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli - mas garantiu que os consumidores que já têm esse sistema continuarão sendo atendidos. Segundo o presidente, por ordem de importância, o gás será usado para abastecer primeiramente as termelétricas, depois as indústrias e, finalmente, os carros.
- Ninguém colocou um tamborzinho de gás no seu carro porque quis. Houve incentivo para que se fizesse aquilo - lembrou o presidente.
- Nosso problema agora é que vamos ter de trabalhar para importar mais gás, para tentar trazer gás gaseificado. É preciso encontrar navios, há poucos no mundo. E a Petrobras está investindo muito para que possamos ter auto-suficiência em gás. Por isso estamos trabalhando com muito afinco para a construção de gasodutos, ligando o Brasil de Norte a Sul - acrescentou Lula.
Lula diz que usinas termelétricas serão priorizadas
Na semana passada, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, defendeu que se suspenda a expansão do programa de uso do gás como combustível de carros até 2010. Já o presidente da Petrobras afirmou, em um evento em Nova York, na última sexta-feira, que não seria adequado estimular o uso de gás no setor de transportes. Segundo Gabrielli, o preço do gás está abaixo do custo dos demais combustíveis alternativos, o que incentiva o consumo.
Embora tenha manifestado que apóia os dois auxiliares, Lula afirmou que o motorista que fez a conversão de seu carro "não corre risco" diante dos problemas de abastecimento de gás. E voltou a reforçar a necessidade de se priorizar as termelétricas.
- Obviamente temos de dar prioridade para alguma coisa. Na medida em que o Brasil não tem, dentro de seu território, o gás do qual necessitamos e precisamos importar, obviamente que o Brasil vai ter de priorizar. Vai ter de primeiro garantir o funcionamento das termelétricas, que é para produzir energia para a sociedade brasileira. Depois vêm as indústrias e, em seguida, os carros - reafirmou o presidente da República. (Luiza Damé e Chico de Góis)