Título: Problemas no Citigroup derrubam mercados
Autor: Rosa, Bruno
Fonte: O Globo, 06/11/2007, Economia, p. 23

Banco reduz lucro trimestral, depois de prever perdas com hipotecas de US$11 bi. Bolsa de São Paulo cai 1,7%.

RIO e NOVA YORK. As perdas do Citigroup, uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos, devido à crise no setor de hipotecas derrubaram os mercados ontem. Em dia volátil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou os índices americanos e fechou em queda de 1,70%, aos 62.959 pontos. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, caiu 0,38%, enquanto Nasdaq e S&P recuaram 0,54% e 0,50%, respectivamente. Na Europa, o dia também foi de perdas. Em Londres, a queda foi de 1,06%. Frankfurt recuou 0,53%, e Paris, 0,63%. A Bolsa de Hong Kong caiu 5%, a de Tóquio, 1,5%, e a de Xangai, 2,48%.

O Citigroup, que domingo havia anunciado uma baixa contábil de US$11 bilhões por causa das hipotecas de alto risco (subprime), reviu para baixo ontem seu lucro no terceiro trimestre, que havia sido divulgado no último dia 15. O ganho foi reduzido de US$2,4 bilhões para US$2,2 bilhões. Suas ações fecharam em queda de 4,85%, depois de terem recuado até 6% durante o pregão.

As notícias do Citi afetaram as ações de outras instituições financeiras. Morgan Stanley caiu 5,62%, Merrill Lynch, 2,44%, e Goldman Sachs, 4,88%.

Robert Rubin vai assumir presidência do Conselho

Robert Rubin, que foi secretário do Tesouro durante o governo Bill Clinton, vai assumir a presidência do Conselho de Administração do Citi. Já Sir Win Bischoff, que comanda as operações européias do grupo, assumirá interinamente a direção executiva. O presidente do conselho e diretor-executivo do Citi, Charles Prince, apresentou sua renúncia no domingo, depois de ter sido convocada uma reunião de emergência. ¿Eu sou responsável pela conduta de nossos negócios¿, disse Prince em memorando distribuído aos funcionários do banco. ¿A dimensão dessas perdas torna a renúncia o único caminho honroso que posso tomar¿.

¿ É um choque ¿ disse Ralph Cole, administrador da Ferguson Wellman Capital Management. ¿ A dimensão da baixa contábil é surpreendente, bem como a rapidez com que o mercado de crédito de alto risco está se deteriorando. Não se pode dizer que será a última vez que isso vai acontecer.

A Fitch Ratings cortou ontem de ¿AA+¿ para ¿AA¿ a classificação do Citigroup, com o argumento de que o ambiente de crédito ao consumidor que tende a piorar com aumento de inadimplência. Já a Standard & Poor¿s afirmou que estuda reduzir a nota do grupo, hoje em ¿AA¿, para sua dívida de longo prazo. A agência afirmou que o Citi pode enfrentar ¿condições mais difíceis a curto e médio prazo¿.

Dólar encerra em alta de 0,11%, para R$1,750

No mercado brasileiro, o dólar sofreu com a maior aversão a risco, mas encerrou em leve alta, de 0,11%, cotado a R$1,750. Durante o dia, a divisa chegou a ser negociada a R$1,763, mas perdeu força com a entrada de recursos no país. O risco-Brasil avançou 4,42%, para 189 pontos centesimais.

Segundo Gabriel Goulart, da Mercatto Gestão de Recursos, investidores temem que os bancos anunciem novos problemas em suas carteiras, pois os títulos lastreados em hipotecas subprime dos EUA estão sem demanda.

¿ O mercado passa por uma crise de confiança, pois os balanços dos bancos não são tão transparentes. Mesmo as atuais perdas podem ser maiores, já que os papéis estão se desvalorizando ¿ afirma Gabriel.

No Brasil, o fraco desempenho foi puxado pela queda de 4,68% das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras. Segundo analistas, como os papéis da empresa alcançaram valores recordes nas últimas semanas, pesou o relatório do UBS, que baixou a recomendação de ¿comprar¿ para ¿manter¿ a ação nos próximos 12 meses. A Companhia Vale do Rio Doce também viu suas ações se desvalorizarem 3,67%, devido às expectativas de que as exportações de minério de ferro passem de 92 milhões de toneladas, em 2006, para 89 milhões de toneladas até 2011, por causa do alto custo de produção e restrições de exportações do governo, destacaram os especialistas.

Apesar da crise financeira global, o volume das emissões de ações este ano na Bolsa, até outubro, quando chegou a R$61,5 bilhões, ultrapassou em 96,6% o total captado durante todo o ano de 2006. No período, de acordo com a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), 60 empresas estrearam no mercado acionário.

(*) Com agências internacionais