Título: Onze partidos divulgam nota contra 3º mandato
Autor: Gois, Chico de
Fonte: O Globo, 07/11/2007, O País, p. 5
Lula convoca Chinaglia, Berzoini e autor de proposta e manda que anunciem posição do governo contra a idéia.
BRASÍLIA. O governo e o Congresso tentaram ontem pôr fim à especulação sobre um eventual terceiro mandato consecutivo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De manhã, Lula chamou ao Palácio do Planalto o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), e o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) para mandá-los anunciar que o PT e o governo não desejam um terceiro mandato. À tarde, o presidente do PMDB, Michel Temer, reuniu representantes de onze partidos, inclusive da oposição, para lançar um manifesto contra a idéia.
No documento, os presidentes dos partidos afirmam que as legendas não querem alterar a Constituição para garantir terceiro mandato para presidente, governadores e prefeitos.
- Queremos que esta nota seja a pá de cal nesta discussão - disse Roberto Amaral, presidente do PSB.
Devanir diz que proposta não tem a ver com novo mandato
A proposta de Devanir, que defende a possibilidade de o presidente da República convocar plebiscitos sobre qualquer tema - hoje, só o Congresso pode fazê-lo - suscitou o receio entre os parlamentares de que, por esse instrumento, Lula poderia consultar a população sobre a viabilidade do novo mandato. Ontem, Devanir disse que ainda defende a idéia, mas que ela nada tem a ver com terceiro mandato.
- Eu vim comunicá-lo o que estava pensando. Ele entendeu, com toda seriedade, que merece uma proposta como essa, e que minha proposta não tem nada a ver com terceiro mandato. Não é que houve convencimento - declarou Devanir.
Berzoini afirmou que o PT sempre foi contrário à reeleição e não discute a viabilidade de um terceiro mandato:
- Votamos contra a reeleição em 1996 quando o então presidente da República propôs esse instrumento, e acreditamos que a atual ordem constitucional do país, com possibilidade de uma reeleição, é adequada para a consolidação da democracia.
À tarde, os presidentes de PT, PMDB, DEM, PSB, PCdoB, e PSC redigiram a redigir a nota. Tasso Jereissati (PSDB) e Francisco Dornelles (PP) não foram, mas mandaram avisar que assinavam o documento. Depois, PPS, PTC e PSOL aderiram. Rodrigo Maia, do DEM, elogiou:
- Isso dá garantia ao país que este não é um assunto que está na pauta dos partidos.