Título: Táxi aéreo responde por 32% dos acidentes
Autor: Farah, Tatiana; Freire, Flávio
Fonte: O Globo, 07/11/2007, O País, p. 10
CRISE AÉREA: Panes de motor causam mais da metade das ocorrências com aviões particulares e helicópteros.
Número de pequenas aeronaves chega a 20 mil no Brasil, e frota de jatinhos é a segunda maior do mundo.
SÃO PAULO. Problema no motor é a maior causa de acidentes no setor de táxi aéreo no Brasil, que tem 1.500 jatinhos - a segunda maior frota do mundo. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), no ano passado, as panes nos motores corresponderam a 57,1% das causas dos acidentes com aviões de empresas de táxi aéreo. Nos casos de pane de motor, 36,1% estão relacionados a problemas de manutenção. A segunda maior causa de acidentes com aviões de empresas de táxi aéreo é a perda de controle da aeronave. Em 2006, ela correspondeu a 14,3%.
Em 2007, os acidentes com táxi aéreo atingiram o auge: 23 ocorrências até 15 de outubro, 32,7% do total de 71. Em 2003 e 2004, foram registrados 11 e 15 acidentes respectivamente. Em 2005, o Cenipa registrou a menor taxa de acidentes aéreos: 6 da aviação executiva (10,3% do total de 58 acidentes da aviação civil). Em 2006, esse número saltou para 19, 28,8% do total de 66 dos acidentes da aviação civil.
O vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Felibeano, rebateu as declarações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que criticou a fiscalização dos aviões particulares:
- A declaração é típica de quem não entende de aviação. Na aviação particular, quem voa é o proprietário, que tem interesse em ter a aeronave em ordem - disse Felibeano.
Há no Brasil atualmente 1,5 mil jatinhos executivos registrados em nome de empresas. Pelo menos 70% da frota utiliza o terminal do Campo de Marte. Somando os aviões particulares, como os turbo-hélices usados por fazendeiros, o número de pequenas aeronaves chega a 20 mil no Brasil. A aviação comercial brasileira opera com 350 aviões. A Infraero tem registro de 1.048 helicópteros, que também utilizam o Campo de Marte para suas operações.