Título: Produção na indústria caiu 0,5% em setembro
Autor: Ribeiro, Fabiana
Fonte: O Globo, 07/11/2007, Economia, p. 30

Montadoras fizeram setor recuar, mas no ano alta ainda é de 5,4%. Para analistas, trata-se de acomodação.

A indústria brasileira produziu 0,5% a menos em setembro em relação ao mês anterior, já com ajuste sazonal. Um resultado que veio após crescer 1,3% em agosto. No ano, a atividade acumula alta de 5,4% e, em 12 meses, 4,8%, informou ontem o IBGE. Para analistas, o freio na produção não é um sinal de alerta para a economia.

- Esse resultado negativo vem após um crescimento intenso. A indústria, apesar dessa queda, mostra um fôlego forte. Trata-se de uma acomodação natural e não uma inversão de tendência - disse Isabella Nunes, economista do IBGE.

Na comparação com agosto, apenas a categoria de bens de capital - máquinas e equipamentos - cresceu (1,4%). Houve queda de produção nas atividades de bens intermediários (-1,0%) e de consumo semiduráveis e não-duráveis (-0,6%) e duráveis (-0,2%). A maioria dos setores pesquisados - 16 dos 27 - teve retração em setembro nessa comparação. O principal impacto negativo veio de veículos automotores (-3,1%), interrompendo a seqüência de quatro taxas positivas.

- Há uma diferença de quatro dias úteis entre setembro e agosto, afetando números da produção. De todo modo, a aceleração em bens de capital mostra que a indústria cresce com qualidade, pois sinaliza investimentos - explicou Isabella.

Frente a setembro de 2006, a atividade industrial avançou 5,6% - 15ª taxa positiva, porém inferior às de agosto (6,6%), julho (7%) e junho (6,6%). Dos 27 setores, 21 produziram mais. Destaque para veículos automotores (23,2%) e máquinas e equipamentos (17,7%).

- Um dos indicadores que aponta que o resultado de setembro não se trata de inversão de tendência é o índice de média móvel trimestral, que registrou 0,1% e mantém trajetória positiva desde agosto do ano passado - comentou Isabella.

Retração pode indicar aumento de importações

Segundo Paulo Levy, economista do Ipea, o comportamento da indústria não foi o esperado, mas também não acende qualquer luz amarela:

- O desempenho ficou um pouco abaixo das expectativas, mas é uma situação cíclica e uma compensação após um ganho em agosto. As indústrias têm aumentado sua capacidade de produção - disse Levy, para quem outubro deve trazer números mais positivos.

Levy acrescentou que a indústria do Rio, com peso de 10% sobre a indústria nacional, pode sofrer algum impacto por causa da crise do gás - que deixou por 24 horas indústrias fluminenses desabastecidas.

- É preciso avaliar o efeito da crise. Que pode ter conseqüências maiores a médio prazo.

Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a retração do setor de bens intermediários pode indicar desvio da demanda interna para importações devido ao estímulo da valorização do real. O que, diz, "retira a capacidade desse segmento de acompanhar o crescimento econômico doméstico".

Mas, para o Iedi, "os dados de setembro conferem ao setor industrial brasileiro a perspectiva de um crescimento maior do que vinha sendo projetado para o ano, na faixa de 5%. O novo patamar é de 5,5%", informou o Iedi.