Título: Pavimentação é falha em metade das estradas
Autor: Franco, Bernardo Mello
Fonte: O Globo, 08/11/2007, O País, p. 11
PERIGO NO AR E NA TERRA: Sinalização é deficiente em 65,4% das vias, com placas cobertas por mato e falta de faixas.
Pesquisa da CNT aponta condição ruim, péssima ou regular em 54,5% das rodovias; 42,5% não têm acostamento.
BRASÍLIA. A Pesquisa Rodoviária 2007, da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mostra que as rodovias brasileira continuam em estado de calamidade. De acordo com o levantamento, a pavimentação é ruim, péssima ou regular em 54,5% das estradas do país, o que equivale a mais de 47 mil dos 87 mil quilômetros de rodovias federais, estaduais e municipais. Não há acostamento em 42,5% das rodovias avaliadas e, em outros 4,6% dos trechos, a pista de emergência está tomada pelo mato. Nas estradas com pontes e viadutos, apenas 23% têm acostamento ou defensas para proteger os motoristas.
A sinalização é deficiente em 65,4% das estradas. Em 8,5% das rodovias, as placas estão total ou parcialmente cobertas pelo mato. A má conservação das rodovias é um dos principais gargalos que atrasam o crescimento do país, acrescenta o relatório, que estima em R$23,4 bilhões o volume de investimentos necessários para recuperar a malha viária brasileira. O cálculo não inclui obras de ampliação e duplicação de rodovias.
Nas estradas administradas pela União, 74,2% sofrem com problemas de pavimentação, sinalização ou desenho. O índice é praticamente igual ao do ano passado, quando 75% da malha federal, de 58 mil quilômetros, estavam comprometidos.
- Podemos concluir que a situação das rodovias no país está inalterada. Houve apenas uma pequena melhora na sinalização, de 5% - resumiu o presidente da CNT, Clésio Andrade.
Os trechos reprovados nas rodovias federais foram classificados como regulares (46,9%), ruins (19,8%) ou péssimos (7,5%). Dois terços das rodovias federais têm deficiências na sinalização, como placas encobertas por mato e ausência de faixas no asfalto. Em metade das estradas os motoristas precisam desviar de buracos, afundamentos ou ondulações. "A grande extensão da malha com pavimento deficiente é preocupante, pois, em função do tráfego e das intempéries, pode evoluir para situações críticas de segurança", diz o estudo.
Condições são melhores em SP, com estradas privatizadas
O percentual de estradas comprometidas apresenta ligeira queda, para 73,9%, quando se somam as rodovias estaduais e as concedidas à iniciativa privada. Técnicos da CNT avaliaram 87 mil quilômetros de estradas, em inspeções que duraram 40 dias em todos os estados.
O mapa das rodovias brasileiras mostra ainda que a situação é mais grave nas regiões Norte, onde os trechos considerados regulares, ruins ou péssimos chegam a 91,2%; e Nordeste, onde a soma atinge 86,3%. Entre os estados, o pior caso é o de Roraima, onde nenhuma rodovia foi classificada como boa ou ótima. O melhor exemplo é o de São Paulo, líder no ranking de concessões à iniciativa privada, onde apenas 26,8% das estradas registram problemas. No entanto, o presidente da CNT criticou o alto valor dos pedágios cobrados no estado:
- As novas licitações do governo federal mostram que é possível melhorar as rodovias sem que os motoristas sejam tão onerados.
O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, não quis comentar o estudo. Subordinado à pasta, o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), responsável pela manutenção das rodovias federais, divulgou nota em que considera o resultado animador, apesar das declarações do presidente da CNT. De acordo com o texto, a pesquisa "deu destaque à melhora nas condições da sinalização de rodovias em todo o país, e no estado geral das rodovias federais, em relação ao ano passado". Segundo o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, "os investimentos do governo nos últimos anos estão produzindo bons resultados".