Título: Lula diz que crise de abastecimento no Rio foi um probleminha de gás
Autor: Damé, Luiza; Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 08/11/2007, Economia, p. 26

O GARGALO É NOSSO: Planalto assegura energia até 2012 e descarta apagão.

Presidente afirma que Petrobras não pode pensar "somente em lucro".

BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou ontem de "um probleminha de gás" a crise de abastecimento no Rio e enquadrou a Petrobras, avisando que a estatal brasileira não pode pensar "somente no lucro". Segundo ele, a companhia petrolífera brasileira está subordinada ao governo federal.

- O governo não manda na Petrobras, mas a Petrobras tem que saber que ela é subordinada ao seu acionista majoritário, que é o governo, e, portanto, algumas decisões importantes passam pelo governo, porque temos que pensar no Brasil, sobretudo. A cada vez que a gente pensa na Petrobras, a gente pensa no Brasil - afirmou Lula, durante o discurso de abertura do 5º Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp).

Lula citou como exemplo a decisão da Petrobras de voltar a produzir navios em estaleiros brasileiros, seguindo orientação do governo federal para permitir a revitalização da indústria naval. Disse ainda que o governo está "dando sinais de que a construção de 26 navios pode virar 46, pode virar 56, pode virar 80, pode virar 100" e que a recuperação da indústria de petróleo "significa distribuição de riqueza" e geração de milhares de empregos.

- Se imaginarmos apenas o lucro entre a Petrobras e outra empresa de petróleo do porte da Petrobras, que pode comprar uma plataforma em algum país, algumas centenas de dólares mais barata que a que nós fazemos aqui, se pensarmos assim, nós estaremos matematicamente pensando certo e politicamente pensando equivocadamente - afirmou.

Gabrielli voltará à Bolívia para discutir investimentos

O presidente voltou a afirmar que não há risco de desabastecimento e afirmou que os problemas de gás no Rio e em São Paulo foram decorrentes do cumprimento do termo de compromisso da Petrobras, firmado com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou que as usinas termelétricas fossem ligadas para poupar os reservatórios das hidrelétricas.

- Este país está sólido, e é preciso acreditar que não haverá crise energética. O que não falta é gente para botar defeito, para dizer que não vai dar certo. Aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro, acabou a energia do mundo. Não acabou. Este país tem energia garantida até 2012 - disse Lula.

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse que a companhia pretende chegar a 2012 com oferta de 134 milhões de m por dia de gás no país. Para isso, a empresa vai investir US$18 bilhões até 2010 em novos gasodutos e no aumento da produção nacional.

Também estão previstos mais investimentos na Bolívia, de onde o Brasil importa 30 milhões de m de gás por dia. Gabrielli viajará para o país vizinho para reuniões em Santa Cruz de la Sierra, entre os dias 26 e 30 deste mês, para discutir novos investimentos.

- Todo campo de gás e petróleo atinge um pico e declina, precisa ter tratamentos para manter a potência do campo. Os tratamentos que existem são de dois tipos: ou aumentamos a técnica de recuperação ou descobrimos novos campos produtores. Para manter os 30 milhões de m, são necessários novos campos e novas tecnologias. E isso significa investimentos - afirmou Gabrielli.

Ao ser perguntado sobre o aumento do preço do petróleo no mercado internacional - o barril está perto de ultrapassar a marca de US$100 -, Gabrielli disse que será mantida a política de preço da gasolina e do diesel de acompanhar a variação dos preços a longo prazo, e não de "internalizar custos de curto prazo":

- A expectativa que nós temos é que, a médio prazo, os preços vão continuar relativamente altos, mas com enorme volatilidade. O importante é observar a redução das variações de preço.