Título: Só um terço da energia alternativa saiu do papel
Autor: Paul, Gustavo; Nogueira, Danielle
Fonte: O Globo, 11/11/2007, Economia, p. 29
Problemas de licenciamento ambiental e demandas judiciais atrasam projetos.
São poucas as alternativas às usinas a gás natural para aumentar a oferta de energia a curto ou médio prazo no país. Dos 3,3 mil MW do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) previstos originalmente para 2006, por exemplo, apenas 997,1 MW (30%) saíram do papel, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A previsão da agência é que mais 299 MW estejam operando comercialmente este ano e outros 1.939 MW, em 2008. Os 158 MW restantes estão sem previsão devido a problemas de licenciamento ambiental ou demandas judiciais.
- Ainda que boa parte dos empreendimentos de energia alternativa restantes entrem em operação em 2008, eles não ajudam muito porque não conseguem operar o ano todo. A eólica, por exemplo, só opera quando tem vento - diz o economista Edmar de Almeida, do Grupo de Energia da UFRJ.
As usinas térmicas a óleo combustível ou a diesel seriam uma opção, uma vez que também são fontes térmicas, contribuindo para a segurança do abastecimento em caso de falta de chuvas. Mas esbarram no preço mais elevado que o do gás natural, além de questões ambientais. O custo da geração de energia com o diesel é pelo menos o dobro do valor da opção a gás natural, segundo o economista.
As hidrelétricas e a energia nuclear também enfrentam problemas. Dos 6.996 MW de usinas hidrelétricas cujas obras estão em andamento, 2.402 MW não têm previsão de operação por dificuldades de licenciamento ambiental, demandas judiciais ou rescisão de contratos. Já a energia nuclear esbarra em problema de tempo. Angra 3 só estará pronta em 2013, na melhor das hipóteses. Por isso, o consultor independente Roberto Araújo enfatiza a necessidade de se investir em eficiência energética. (Danielle Nogueira)