Título: Nós prevenimos e São Pedro está ajudando
Autor: Menezes, Maiá
Fonte: O Globo, 16/11/2007, O País, p. 3
Ministro defende investimentos estrangeiros, mas descarta abertura do espaço aéreo.
Enquanto defende investimentos estrangeiros nas empresas aéreas, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, é categórico: se diz contrário à abertura do espaço aéreo brasileiro para companhias internacionais. Ele afirmou que isso poderia levar à falência de empresas brasileiras. O ministro afirmou que é hora de estimular a competitividade no setor, mas ressaltou que o governo não tem como interferir nas leis de mercado. Ele deu como exemplo o acordo entre a BRA e a OceanAir, intermediado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em que, segundo ele, não houve aporte financeiro do governo.
- É difícil. A abertura do céu brasileiro pode levar à quebra das companhias nacionais. E aí (o Brasil) vai ficar dependente de decisões que não são tomadas no território nacional. Tanto é que o maior centro mundial, que é os Estados Unidos, não admite isso. É uma decisão perigosa em termos de segurança nacional - disse Jobim, durante entrevista na IV Conferência do Forte de Copacabana, na Zona Sul do Rio, ressaltando que as fusões no setor são bem-vindas:
- Elas dão mais envergadura às pequenas empresas.
Nova malha aérea entra em vigor em dezembro
O ministro comemorou a ausência de tumultos nos aeroportos, no primeiro dia do feriado prolongado. Ele disse que a Infraero contratou funcionários terceirizados, para evitar problemas com o que chamou de "disputa sindical interna" da estatal:
- Nós nos prevenimos. Há uma disputa sindical interna na Infraero, o que leva a uma tensão. A Infraero contratou terceirizados. Além disso, São Pedro está ajudando - disse o ministro, apesar da chuva em São Paulo e no Rio.
Ele afirmou que a solução do impasse entre a BRA e a OceanAir é uma questão de tempo:
- Ainda está naquela fase de disputa das duas empresas para o fechamento do negócio.
O impasse entre as duas companhias segue, contrariando o acordo anunciado por Jobim, há uma semana. Na prática, a OceanAir e BRA não formalizaram o convênio que permitiria o transporte dos 70 mil passageiros prejudicados pela decisão da BRA de encerrar as operações. O ministro da Defesa chegou a dizer, ao anunciar o acordo, que o problema dos passageiros estava resolvido e que não havia qualquer constatação de irregularidade cometida pela BRA. A companhia chegou a vender bilhetes aéreos mesmo sabendo que encerraria as operações.
Jobim afirmou que a decisão de modificar a malha aérea, para evitar problemas nas férias, não significa que o governo tenha encontrado problemas na atual malha além de questões pontuais, segundo o ministro. A troca está sendo discutida há um mês com as companhias aéreas. Em 1º de dezembro entra em vigor uma malha aérea especial, que funcionará até 15 de março. As principais mudanças são relacionadas aos vôos que chegam e partem do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
- Não estamos mudando como se a outra estivesse errada. Está é se ajustando a malha aérea, como se faz todo ano, para a demanda que haverá no país com o fluxo das férias. Estamos caminhando para a solução do problema - afirmou Jobim.
O ministro lembrou que o Congresso está discutindo proposta de abertura da entrada do capital estrangeiro para investir no mercado nacional.
- Fala-se no Congresso em abrir o capital em até 49%. Isso nos traria a possibilidade de ter injeções no setor, que cresce enormemente. Mas precisamos ter condições desconcentratórias. A demanda se dá por fatos e esforços regionais - disse o ministro. (Maiá Menezes)