Título: Polêmica sobre a democarcia da Venezuela
Autor:
Fonte: O Globo, 21/11/2007, O Mundo, p. 29

BRASÍLIA. A personalidade polêmica do presidente venezuelano Hugo Chávez e a existência ou não de democracia naquele país marcaram, ontem, os debates que antecederam a votação ¿ prevista para hoje, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) ¿ do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. De uma lado, o secretário-executivo do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, defendia o ingresso do mais novo sócio do bloco. De outro, parlamentares da oposição, como o autor do requerimento da convocação de Guimarães, ACM Neto (DEM-BA), chamavam Chávez de ditador.

¿ Eu não entregaria minha mãe aos cuidados de Hugo Chávez, ditador de quinta categoria ¿ afirmou ACM Neto.

O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) reforçou:

¿ Seria como colocar uma maçã podre dentro do cesto.

Sem o apoio veemente de parlamentares governistas, coube a Guimarães assegurar que há, sim, democracia na Venezuela, país que passou por várias eleições, todas elas acompanhadas por observadores internacionais. Segundo ele, se houver ruptura dos princípios democráticos no país vizinho, o Brasil será o primeiro a evocar a cláusula democrática do Protocolo de Ushuaia ¿ que expurga países que desrespeitam a democracia.

¿ Não há jornalistas ou políticos presos ou a notícia de fechamento do Congresso. Isso significaria o rompimento da democracia ¿ afirmou. ¿ Não cabe ao Brasil julgar a forma de organização de Estado ou políticas de governo (do país vizinho).

Sobre o terceiro mandato pretendido por Chávez, o diplomata lembrou que, na França, um presidente pode se reeleger indefinidamente.

¿ O importante é que o povo esteja de acordo, e as eleições sejam legítimas.

Em solenidade no Palácio do Planalto, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu o ingresso da Venezuela no bloco.

¿ No Brasil, temos o princípio da alternância do poder, que continuamos a respeitar. Muitos países que são tidos como democracia tiveram um governo que ficou muito tempo no poder, e tiveram outras práticas com que nós também não concordamos ¿ disse Amorim, acrescentando que os próprios opositores de Chávez reconhecem que não há presos políticos na Venezuela.