Título: Outra mulher presa com homens no Pará
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Fonte: O Globo, 23/11/2007, O País, p. 18
Corregedoria e OAB investigam denúncia de que jovem de 23 anos ficou dois meses em cela com 70 presos
BELÉM e BRASÍLIA. A Corregedoria de Polícia Civil e a comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Pará investigam um novo caso de mulher mantida em cela com homens no estado. Segundo a presidente da comissão, Mary Cohen, ela tem 23 anos e ficou dois meses presa com 70 homens em uma cela anexa à Delegacia Seccional de Polícia de Parauapebas, nordeste do estado. A polícia diz que ela dividiu a cela só com o marido.
No primeiro caso divulgado, uma jovem, que teria 16 anos, foi mantida em uma cela com 20 detentos, em Abaetetuba. Ela contou ter sido obrigada a trocar sexo por comida. Três delegados foram afastados, e 28 policiais serão interrogados.
Se for confirmada a prisão da jovem de 23 anos em cela masculina, a OAB formalizará pedido ao Ministério Público para que seja investigada a situação de todas as mulheres detidas:
- O primeiro caso chocou o país. Se outra jovem ficou presa por dois meses, será um escândalo de proporções inimagináveis - afirmou Mary Cohen.
Ontem, o pai da garota de 16 anos acusou a polícia de Abaetetuba de ameaçá-lo com cadeia se ele não providenciasse uma certidão provando que a jovem era maior de idade.
- A menina é menor, e só existe uma certidão, que prova isso. Eu não poderia arrumar o que não existe só para limpar a barra dos policiais.
Ele prestou depoimento na Corregedoria da Polícia Civil, em Belém, junto com a mãe da garota, sua ex-mulher. Ela confirmou que a filha foi obrigada a fazer sexo com os presos em troca de comida. O depoimento foi assistido pela coordenadora do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca), Celina Hamoy. Hamoy pediu que a família seja incluída no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas e retirada da região para evitar represálias.
Jovem e sua família terão escolta da Polícia Rodoviária
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, anunciou a criação de força-tarefa para acompanhar o caso da adolescente. O secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, classificou o episódio como "intolerável". Esse grupo vai ficar incumbido de garantir a integridade física da menina e de seus familiares, numa ação conjunta com autoridades do Pará. A jovem, cuja idade foi confirmada pelo cartório que emitiu sua certidão de nascimento, já foi submetida a perícias para confirmar ou não as agressões sexuais.
A Polícia Rodoviária Federal vai garantir escolta à menina e seus parentes. Hoje, a força-tarefa terá encontro com a governadora Ana Júlia Carepa (PT).
Com O Liberal