Título: Uribe exclui Chávez de mediação com as Farc
Autor:
Fonte: O Globo, 23/11/2007, O Mundo, p. 38

Bogotá afirma que líder venezuelano rompeu acordo ao ligar para general.

BOGOTÁ

Eram 13h15m de quarta-feira quando o general Mario Montoya, comandante do Exército colombiano, recebeu uma ligação da senadora Piedad Córdoba. Mas ao pegar o telefone, o general se descobriu falando com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Mal desligou, Montoya foi comunicar o assunto ao presidente Alvaro Uribe, que após uma série de reuniões que só terminou no fim da noite, anunciou sua decisão numa nota curta e seca: Chávez e Piedad não atuariam mais como mediadores na troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos, pois o presidente venezuelano violara um acordo feito com o colega colombiano.

A decisão gera um novo impasse na questão dos reféns, alguns deles presos há quase dez anos, deixa suas famílias apreensivas e representa um golpe para Chávez, que aumentava suas credenciais como líder político ao mediar um acordo entre Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A Venezuela, ontem, disse aceitar ¿a decisão soberana¿ da Colômbia, mas manifestou seu desapontamento e frustração, classificando a medida como ¿lamentável¿.

O governo colombiano assumiu o controle das negociações e o comissário da paz, Luis Carlos Restrepo, descartou que Chávez ou qualquer outro agente volte a intermediar um acordo. Segundo ele, os contatos serão retomados ¿com discrição e perseverança¿ ¿ numa aparente crítica aos métodos de Chávez. Em Bogotá, Uribe disse que tomou a decisão porque não queria colocar em risco a ¿segurança democrática¿ da Colômbia.

¿ As FARC querem protagonismo político, mas não querem liberar os seqüestrados ¿ disse Uribe.

Agenda paralela irritou presidente

O fim da parceria de dois presidentes de linhas ideológicas tão diferentes já vinha se desenhando. No Chile, há duas semanas, Chávez disse que gostaria de telefonar para alguns generais, mas Uribe foi taxativo na recusa. O governo colombiano já estava incomodado por Chávez entrar em contato com o Procurador Geral, membros da Igreja e da sociedade civil sem informar a Uribe e via a iniciativa como uma ¿agenda paralela e oculta¿, segundo o jornal ¿El Tiempo¿. Esta semana, o governo colombiano deu até 31 de dezembro para Chávez obter resultados. O ultimato veio após o mal-estar causado por Chávez ao comentar que Uribe estava disposto a se reunir com Manuel Marulanda, o líder das Farc ¿ uma informação confidencial. A ligação para o general foi a gota d¿água.

¿ Pode imaginar o presidente russo telefonando para o chefe de Estado Maior Conjunto dos EUA? Isso é passar por cima da cadeia de comando ¿ disse Stephen Donehoo, especialista em América Latina.

Outros criticaram a decisão. Para Piedad, que convidara Chávez a participar das negociações, a decisão foi ¿um balde de água fria¿. O governo francês, que esta semana recebera Chávez e a família da ex-senadora franco-colombiana e refém Ingrid Betancourt, pediu que Uribe reconsidere.

¿ Continuamos a achar que o presidente Chávez é a melhor chance de assegurar a libertação dos reféns ¿ disse o porta-voz do presidente Nicolas Sarkozy, David Martinon.

O Comitê de Apoio a Ingrid anunciou um protesto para amanhã.

¿ Mais do que consternação, trata-se de algo dramático ¿ disse Fabrice Delloye, ex-marido de Ingrid, em Paris. ¿ O comportamento de Uribe demonstra que ele não quer encontrar uma solução pacífica.

Em Caracas, o presidente da Comissão de Política Externa do Congresso, Saúl Ortega, atribuiu a decisão de Uribe a pressões de setores militares e da guerrilha que não estariam interessados no intercâmbio humanitário. Já o ex-chanceler Fernando Ochoa Antich teme que a decisão gere tensão diplomática entre os dois países.

Paralelamente, Bogotá denunciou que as Farc estão operando rádios na zona de fronteira da Colômbia com Brasil, Peru, Equador e Venezuela e estariam mesmo utilizando o território desses países para transmitir suas mensagens. O Exército negou a existência dessas rádios no Brasil.

www.oglobo.com.br/mundo

BOGOTÁ

Eram 13h15m de quarta-feira quando o general Mario Montoya, comandante do Exército colombiano, recebeu uma ligação da senadora Piedad Córdoba. Mas ao pegar o telefone, o general se descobriu falando com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Mal desligou, Montoya foi comunicar o assunto ao presidente Alvaro Uribe, que após uma série de reuniões que só terminou no fim da noite, anunciou sua decisão numa nota curta e seca: Chávez e Piedad não atuariam mais como mediadores na troca de reféns da guerrilha por rebeldes presos, pois o presidente venezuelano violara um acordo feito com o colega colombiano.

A decisão gera um novo impasse na questão dos reféns, alguns deles presos há quase dez anos, deixa suas famílias apreensivas e representa um golpe para Chávez, que aumentava suas credenciais como líder político ao mediar um acordo entre Bogotá e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A Venezuela, ontem, disse aceitar ¿a decisão soberana¿ da Colômbia, mas manifestou seu desapontamento e frustração, classificando a medida como ¿lamentável¿.

O governo colombiano assumiu o controle das negociações e o comissário da paz, Luis Carlos Restrepo, descartou que Chávez ou qualquer outro agente volte a intermediar um acordo. Segundo ele, os contatos serão retomados ¿com discrição e perseverança¿ ¿ numa aparente crítica aos métodos de Chávez. Em Bogotá, Uribe disse que tomou a decisão porque não queria colocar em risco a ¿segurança democrática¿ da Colômbia.

¿ As FARC querem protagonismo político, mas não querem liberar os seqüestrados ¿ disse Uribe.

Agenda paralela irritou presidente

O fim da parceria de dois presidentes de linhas ideológicas tão diferentes já vinha se desenhando. No Chile, há duas semanas, Chávez disse que gostaria de telefonar para alguns generais, mas Uribe foi taxativo na recusa. O governo colombiano já estava incomodado por Chávez entrar em contato com o Procurador Geral, membros da Igreja e da sociedade civil sem informar a Uribe e via a iniciativa como uma ¿agenda paralela e oculta¿, segundo o jornal ¿El Tiempo¿. Esta semana, o governo colombiano deu até 31 de dezembro para Chávez obter resultados. O ultimato veio após o mal-estar causado por Chávez ao comentar que Uribe estava disposto a se reunir com Manuel Marulanda, o líder das Farc ¿ uma informação confidencial. A ligação para o general foi a gota d¿água.

¿ Pode imaginar o presidente russo telefonando para o chefe de Estado Maior Conjunto dos EUA? Isso é passar por cima da cadeia de comando ¿ disse Stephen Donehoo, especialista em América Latina.

Outros criticaram a decisão. Para Piedad, que convidara Chávez a participar das negociações, a decisão foi ¿um balde de água fria¿. O governo francês, que esta semana recebera Chávez e a família da ex-senadora franco-colombiana e refém Ingrid Betancourt, pediu que Uribe reconsidere.

¿ Continuamos a achar que o presidente Chávez é a melhor chance de assegurar a libertação dos reféns ¿ disse o porta-voz do presidente Nicolas Sarkozy, David Martinon.

O Comitê de Apoio a Ingrid anunciou um protesto para amanhã.

¿ Mais do que consternação, trata-se de algo dramático ¿ disse Fabrice Delloye, ex-marido de Ingrid, em Paris. ¿ O comportamento de Uribe demonstra que ele não quer encontrar uma solução pacífica.

Em Caracas, o presidente da Comissão de Política Externa do Congresso, Saúl Ortega, atribuiu a decisão de Uribe a pressões de setores militares e da guerrilha que não estariam interessados no intercâmbio humanitário. Já o ex-chanceler Fernando Ochoa Antich teme que a decisão gere tensão diplomática entre os dois países.

Paralelamente, Bogotá denunciou que as Farc estão operando rádios na zona de fronteira da Colômbia com Brasil, Peru, Equador e Venezuela e estariam mesmo utilizando o território desses países para transmitir suas mensagens. O Exército negou a existência dessas rádios no Brasil.

www.oglobo.com.br/mundo