Título: Deputados querem o afastamento de agentes
Autor: Éboli, Evandro
Fonte: O Globo, 30/11/2007, O País, p. 11

Exames do IML sustentam que menina agredida não sofria de deficiência mental.

BELÉM. A comissão externa de deputados federais que foi ao Pará para investigar a violência sofrida por uma menor na cadeia de Abaetetuba reuniu-se ontem com a governadora Ana Júlia (PT) e pediu o afastamento imediato dos três agentes prisionais que prenderam a adolescente e foram acusados por ela de perseguição e tortura na prisão. Luiza Erundina (PSB-SP) disse que as autoridades do governo devem dar respostas a curto e médio prazos e chamou de insustentável a situação do sistema carcerário do Pará:

- Viemos aqui apurar fatos e vamos apresentar um relatório. Não estamos aqui para uma caça às bruxas.

Após ser exonerado do cargo de delegado-geral da Polícia Civil do Pará, por ter dito que a menina de 15 anos presa com 20 homens em Abaetetuba deveria ter alguma debilidade mental, Raimundo Benassuly teve a confirmação científica de que seu comentário não tinha fundamento. Em um de seus tópicos, o laudo do Instituto Médico-Legal do Pará responde com um lacônico "não" à pergunta sobre se "a vítima é alienada ou débil mental ou menor de 14 anos".

Laudo diz que jovem tinha 42 quilos e 1,42 metro

O exame, feito em 19 de novembro, diz que não há elementos suficientes para indicar ou negar que a jovem foi torturada, além de apontar seu peso (42kg) e sua altura (1,42 metro).

"A pericianda, acompanhada de uma educadora, ficou presa por quase um mês em uma cela em Abaetetuba e foi agredida fisicamente por dois policiais e alguns presos da cela onde ficou, além de ter os cabelos cortados. Relatou ainda que sofreu abuso sexual por um preso no banheiro da mesma cela", diz o documento. (Evandro Éboli)