Título: Negociamos, temos estudos bem feitos
Autor: Tavares, Mônica; Paul, Gustavo
Fonte: O Globo, 11/12/2007, Economia, p. 27
BRASÍLIA. O presidente do Consórcio Madeira Energia, Irineu Meirelles, explica que o deságio de 35% na tarifa oferecida no leilão de ontem foi fruto de uma grande engenharia técnica e financeira. O grupo, sugere o executivo, vai disputar a concessão da hidrelétrica de Jirau e as linhas de transmissão que interligarão o complexo ao resto do país. Para ele, questões ambientais e sociais não representam mais problema, e o próximo passo é abrir o capital da futura empresa que tocará a obra.
Gustavo Paul
Como vocês conseguiram colocar um preço tão baixo?
IRINEU MEIRELLES: Estamos apostando nisso há muito tempo. O grupo que está conosco é experiente, é do ramo, e conseguiu chegar à viabilização desse negócio de tal forma que a gente acha que pode cumprir o cronograma e entregar no preço correto. Negociamos com fornecedores, com parceiros, com o mercado financeiro, temos estudos ambientais bem feitos e bem estruturados.
Há viabilidade econômica para manter esse projeto com a tarifa tão baixa?
MEIRELLES: Os estudos foram bem feitos e para isso está-se investindo há mais de seis anos. Já investimos R$150 milhões no risco. Se não saísse esse leilão, esse dinheiro seria jogado pela janela.
Vocês vão com o mesmo apetite para o leilão de Jirau?
MEIRELLES: Não podemos prever isso agora. Estamos cuidando agora de Santo Antônio, e depois vamos cuidar de Jirau.
Vocês vão entrar na licitação das linhas de transmissão que partem de Santo Antônio?
MEIRELLES: Podemos entrar. Estamos inclusive estudando.
A participação da Vale no consórcio seria acionária?
MEIRELLES: Isso está sendo conversado. Não somente com eles. Estamos estudando a entrada dos fundos de pensão. Eles já se apresentaram. Há possibilidade de entrada de novos sócios e não há previsão de saída de ninguém. Há previsão ainda de abertura de capital da SPE (sociedade de propósito específico montada para gerir o empreendimento).
Quando a obra começa a ser feita?
MEIRELLES: Ela tem que começar no máximo até outubro do ano que vem, por causa das chuvas na região. Isso significa que precisaremos ter a licença de instalação em tempo hábil para a obra se concretizar.
O senhor teme que haja demora na entrega dessa licença?
MEIRELLES: Espero que não, porque a licença prévia não trouxe qualquer novidade insuperável.
É possível garantir à população ribeirinha que ela não será prejudicada?
MEIRELLES: Se existe alguém que está bem informado no país no que diz respeito aos impactos socioambientais na região são os ribeirinhos e a sociedade local. Foram feitos estudos exaustivos, exposições e mais de 60 reuniões com todos, explicando caso a caso o que iria acontecer lá.