Título: Apesar de avanços, Brasil continua a crescer menos que rivais emergentes
Autor: Rodrigues, Luciana; Almeida, Cássia
Fonte: O Globo, 13/12/2007, Economia, p. 31

Entre latinos, país fica atrás da Venezuela, mas supera Chile e México.

SÃO PAULO. O crescimento do PIB no terceiro trimestre bateu todas as previsões dos analistas, mas ainda não foi suficiente para colocar o país na liderança entre os países emergentes. Um ranking da consultoria Austin Rating mostra que o Brasil teve a menor variação entre as nações que compõem o chamado Bric. Na liderança, apareceu a China, cujo PIB apresenta crescimento de 11,5% nos últimos 12 meses. Índia, com 8,9%, e Rússia, com 7,6%, vêm a seguir.

Entre os países latino-americanos, o Brasil ficou atrás da Venezuela (8,7%), mas à frente do Chile (4,1%) e do México (3,3%). Os dados de Argentina e Colômbia referentes ao terceiro trimestre ainda não foram divulgados. Ainda assim, a Austin reviu sua previsão para o PIB em 2007: de 4,3% para 5,3%.

- Visto isoladamente, o Brasil melhorou de forma surpreendente. A recuperação da indústria e dos investimentos é consistente, e os sinais continuam positivos para este último trimestre do ano. Mas continuamos crescendo menos do que outros emergentes com os quais disputamos o interesse dos investidores estrangeiros - afirmou o economista-chefe da Austin, Alex Agostini.

O ranking compilado pela consultoria, a partir de dados próprios, do FMI e da revista "The Economist", tem 36 países. A China é a líder, enquanto a Hungria ocupa a lanterna, com crescimento de 1% no terceiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2006. O Brasil ficou em 12º lugar, próximo de Polônia (6,4%, na 10ª posição) e Hong Kong (6,2%). O Chile aparece apenas na 19ª colocação e a economia mexicana, na 23ª.

Para Agostini, outras economias continuam "aproveitando melhor o cenário de liquidez no mercado internacional" - que, na sua avaliação, deve se manter em 2008, a despeito de uma desaceleração dos Estados Unidos. No caminho do Brasil para alcançar um crescimento mais robusto e permanente do PIB, afirmou ele, estão juros reais (acima da inflação), carga tributária elevada e excesso de burocracia.

- O governo não mexeu nisso ainda - afirmou ele.