Título: Governo adia anúncio de medidas para não ameaçar aprovação da DRU
Autor: Paul, Gustavo
Fonte: O Globo, 18/12/2007, O País, p. 3
Presidente teme que, com divulgação, situação volte a ficar tensa no Senado.
MONTEVIDÉU e BRASÍLIA. O Palácio do Planalto decidiu adiar o pacote de medidas econômicas para compensar a perda da CPMF para depois da votação, em segundo turno, da DRU (Desvinculação de Receitas da União) no Senado, prevista para amanhã. A DRU autoriza a desvinculação de 20% dos impostos e contribuições federais, o que gera recursos livres de carimbos. Esse instrumento é fundamental para que o governo obtenha o superávit primário.
A decisão de anunciar as medidas após a votação da DRU foi do presidente Lula. Ele foi convencido por assessores de que o anúncio do pacote poderia prejudicar o clima no Senado.
- Por enquanto, estamos na fase do debate das medidas. Só vamos anunciar as ações para compensar a CPMF depois da votação da DRU em segundo turno. A aprovação dessa matéria é uma prioridade - disse o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
No Senado, a base aprovou a estratégia do governo.
- O governo só tem três opções: cortar despesas correntes, cortar investimentos e aumentar o endividamento. Seria bom deixar de lado o aumento de impostos. Mas não deve fazer nada antes da aprovação da DRU - disse o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Pivô de uma confusão política no fim de semana, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem em Montevidéu que o presidente Lula não lhe chamou a atenção nem fez desmentido público sobre o anúncio, feito pelo ministro no sábado, de que o governo estuda a criação de um novo imposto para financiar a saúde. Ontem, Mantega começou a discutir com Lula, no Uruguai, as propostas de compensação para a perda dos R$40 bilhões da CPMF.
Lula reúne Conselho Político
Amanhã, a equipe econômica se reúne no Palácio do Planalto para estudar os cenários do possível aumento de impostos. Após chegar do Uruguai, Lula se reunirá com o Conselho Político em jantar no Alvorada. Nenhuma medida deve ser anunciada antes de sexta-feira.
Mantega, criticado na oposição e na base por suas declarações apressadas, disse que não se considerou desautorizado pelo presidente:
- Disseram que o governo passaria uma MP. Isso, do ponto de vista constitucional, foi um equívoco. Não entenderam o que eu disse.
Mantega, que participa no Uruguai de reunião de ministros do Mercosul, recuou de novo sobre a proposta de uma emenda para criação de tributos:
- Até o fim da semana serão anunciadas medidas para compensar as perdas da CPMF. Até lá, não tenho nada a dizer. Não é o momento de falar em emenda, porque temos que emergencialmente adaptar o Orçamento à nova realidade. Num segundo momento, vamos tratar da questão do orçamento da saúde. O país precisa crescer ano que vem. As medidas vão ser elaboradas de forma a causar o menor dano à economia.
Mantega também disse que não há nada decidido sobre congelamento de salários. Não descartou, porém, a idéia:
- Não há nada definido sobre isso, não adianta fazer especulações. Estamos analisando todas as medidas, sem pensar no período eleitoral.
(*) Enviada especial