Título: Músicos cubanos ficarão no Brasil como refugiados e poderão trabalhar
Autor: Lins, Letícia
Fonte: O Globo, 18/12/2007, O País, p. 13
Artistas prestaram depoimento à Polícia Federal e vão receber salvo-conduto.
RECIFE. Desaparecidos desde a semana passada - quando deveriam comparecer ao Aeroporto dos Guararapes, em Recife, para viagem de volta a Havana -, os três músicos cubanos do grupo Los Galanes foram ontem à Polícia Federal pedir autorização para ficar no país até que o caso deles seja analisado pelo Conselho Nacional de Refugiados Políticos (Conari), cuja próxima reunião deverá acontecer no fim de janeiro. Até lá, poderão ficar no Brasil como refugiados, sem risco de serem presos ou deportados.
Os músicos poderão tirar carteira profissional, caso pretendam arranjar emprego formal, segundo informou ontem o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Filho. Ele prometeu expedir salvo-conduto para os três tão logo receba as cópias dos depoimentos dados por eles à delegada Madeleine Botelho, da Polícia Federal.
Até as 18h de ontem, os artistas ainda estavam sendo ouvidos na sede da PF, em Recife, onde chegaram com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE). O visto de permanência dos cubanos venceu sexta-feira - quando deram entrada ao pedido de refúgio - e, como um habeas corpus foi negado no fim de semana, eles temiam a deportação. Só resolveram se apresentar após a promessa do governo de que não seriam expulsos.
- Se isso acontecesse, eu nunca mais sairia de Cuba nem poderia fazer o meu trabalho - afirmou Miguel Angel Nuñes Costafedra, vocalista do grupo.
Tuma informou que, enquanto aguardam a decisão definitiva do Conari, eles podem trabalhar e caso não consigam meios de sobreviver, serão encaminhados a instituições conveniadas com o Ministério da Justiça para abrigar e subsidiar estrangeiros.
Os artistas - Costafreda, Arodis Verdecia Pompa e Júan Alcides Dias - integravam um grupo de seis. Segundo o advogado deles, José Antônio Ferreira, a relação dos cubanos com o governo do seu país chegou a um ponto de estrangulamento.
Os três fugiram da Pousada São Francisco, em Olinda, onde estavam hospedados. Segundo o professor de dança que os acolheu, Gledson Silva, eles estavam bastante nervosos, choravam o tempo todo e um deles chegou a enfrentar uma crise de hipertensão, necessitando de socorro médico. Durante os dias em que ficaram escondidos, mudaram sete vezes de endereço.