Título: Iphan: segurança no Brasil tem 5 anos de atraso
Autor: Galhardo, Ricardo
Fonte: O Globo, 21/12/2007, O País, p. 3
ARTE ROUBADA: "Sempre que nos procuram para pedir segurança, a conversa é tensa; estamos no limite do orçamento"
Diretor de instituto diz que museus nacionais precisam desse prazo para atingirem padrão internacional
Bernardo Mello Franco
BRASÍLIA. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) admite que o país levará pelo menos cinco anos para alcançar padrões internacionais de segurança em seus principais museus. Para o diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do órgão, José Nascimento, esse seria o tempo mínimo para proteger adequadamente os mais importantes acervos brasileiros de obras de arte. Ele afirma que a falta de recursos impede o Iphan de investir o necessário em contratação de guardas e instalação de circuitos de vigilância.
- Vamos levar pelo menos mais cinco ou seis anos para atingir esses padrões. Sempre que os diretores de museus nos procuram para pedir segurança, a conversa é tensa, porque estamos no limite do orçamento - reconhece Nascimento.
Segundo o diretor do Iphan, o investimento total nos 41 museus administrados pelo órgão - entre eles o Museu Nacional de Belas Artes e o Museu Histórico Nacional, no Rio - aumentou de R$22 milhões em 2002 para R$140 milhões no ano passado. Desses valores, cerca de 10% seriam destinados à segurança dos acervos. Apesar do aumento expressivo, Nascimento argumenta que as verbas ainda são insuficientes.
- Desses, 14 museus já estão em boas condições, mas ainda há muito trabalho a ser feito nos outros, que ficaram vários anos sem investimento - afirma.
Para o diretor do Iphan, a repercussão do roubo de ontem no Museu de Arte de São Paulo (Masp) pode prejudicar as tentativas de trazer coleções valiosas para exposições no país:
- Quando estávamos começando a nos recuperar do roubo da Chácara do Céu (em fevereiro de 2006), vem este lamentável acontecimento.
Nascimento se queixa da falta de integração com as polícias estaduais. Em agosto, depois do roubo no Museu do Ipiranga, em São Paulo, o órgão enviou cartas aos governadores sugerindo a criação de delegacias especializadas na investigação de furto de obras de arte, mas não teve resposta. Nascimento lembra ainda que a Polícia Federal obriga os agentes encarregados de proteger bens culturais a dividirem o tempo com a repressão a crimes ambientais:
- Os mesmos policiais investigam o roubo de um Picasso e a pesca ilegal de sardinhas.
Quem tiver informações sobre o paradeiro das obras pode acessar o site www.iphan.gov.br ou fazer uma denúncia anônima pelo telefone (21) 2262-1971.
COLABOROU Rodrigo Vizeu, do Globo Online