Título: Ministro descarta risco de apagão este ano
Autor: Tavares, Mônica
Fonte: O Globo, 10/01/2008, Economia, p. 21
Hubner rebate críticas de diretor da Aneel. Ambos foram chamados para reunião com Lula.
BRASÍLIA. O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, rebateu ontem as críticas do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jerson Kelman, sobre a possibilidade de ocorrência de apagão energético este ano. Mesmo com a situação crítica de chuvas neste início de janeiro, Hubner garantiu que não haverá racionamento no país, tanto em 2008 quanto em 2009, e afirmou que Kelman emitiu uma opinião pessoal, que não é compartilhada sequer por sua equipe no órgão regulador.
À noite, Hubner, Kelman e o presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chip, foram chamados ao Palácio do Planalto para reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, líder das discussões desse setor no governo, também estava presente.
- Está descartado o apagão elétrico em 2008 e em 2009 - garantiu o ministro.
Hubner deixou claro que ele e Kelman se opõem quanto às políticas que devem ser adotadas para o setor. Para o diretor da Aneel, é necessário começar a elaborar um plano de economia preventiva de eletricidade e de gás e um planejamento para o caso de apagão.
- Foi uma posição individual do diretor da agência, que não refletia o pensamento da Aneel. O que nós temos feito é permanentemente conversado. Já chamei o doutor Kelman para a discussão de todas as divergências que temos. Temos reuniões permanentes do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico). Amanhã (hoje) mesmo temos uma reunião do CMSE - afirmou Hubner.
O dia começou tenso na Esplanada. Hubner passou a manhã no ministério em reuniões técnicas e, por volta das 14h, deixou o prédio sem falar com a imprensa. Segundo informações de bastidor, teria tido então o primeiro encontro com Lula. No fim da tarde, retornou à pasta e deu uma entrevista para descartar o apagão. Tentando evitar o clima de emergência em torno da situação energética, negou que toda a cúpula do setor elétrico iria ao Palácio para despachar com Lula. Mas foi exatamente o que ocorreu.
Hubner: se não chover de jeito nenhum, não há o que fazer
Hubner explicou ainda que o país tem um sistema elétrico que é 90% hídrico, mas que não significa que se não chover um pouco vai faltar energia. Para ele, "de fato, se não chover de jeito nenhum no Brasil" vai faltar energia, água, alimento, vai faltar tudo, "não tem o que fazer":
- Mas não é isso o que acontece. Você tem um regime normal de chuvas no país, que a gente acompanha há 76 anos. Estamos fazendo simulações com duas mil séries hidrológicas exatamente prevendo tudo isso. Tivemos, no fim de 2007 e no início de 2008, valores muito baixos de afluências hidrológicas. Por isso, principalmente no Nordeste, nós antecipamos isto. Estamos ainda com uma situação bastante confortável nos nossos reservatórios do Sudeste, não temos esse sinal de alerta.
Os técnicos do governo, segundo Hubner, estão trabalhando todas as semanas, reunindo-se e verificando como está o regime de chuvas no país. Se for necessário, poderá ser antecipada a utilização de usinas térmicas em outras regiões do país, como aconteceu no Nordeste. (Mônica Tavares)
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