Título: Para o Brasil, organizações não são terroristas
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Fonte: O Globo, 12/01/2008, O Mundo, p. 29
BRASÍLIA. O pedido do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para que Colômbia e outros países deixem de considerar como terroristas os grupos guerrilheiros Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN) é visto, pelo governo brasileiro, como uma tentativa de facilitar a liberação dos reféns que continuam em poder das Farc. Segundo uma alta fonte diplomática, há cidadãos americanos que poderiam conquistar a liberdade se os Estados Unidos mudassem sua posição.
Alguns países e blocos, como a União Européia, têm listas próprias de grupos e movimentos classificados como terroristas. Não é o caso do Brasil, que prefere seguir as recomendações das Nações Unidas. Assim, a rede al-Qaeda é a única considerada como terrorista pelo governo brasileiro.
Essa posição neutra do Brasil em relação aos demais grupos espalhados no mundo às vezes não é bem aceita, principalmente por americanos e israelenses. Houve momentos em que EUA e Israel tentaram convencer o governo brasileiro a condenar o Hezbollah. A resposta foi negativa.
Embora seja um importante aliado dos EUA na política externa, o Brasil condena ações unilaterais que, segundo essa fonte, desrespeitam os princípios do multilateralismo. Um exemplo tido como gritante é a elaboração de um relatório próprio, da Casa Branca, sobre direitos humanos no mundo.
- Defendemos um relatório global sobre direitos humanos, com a transparência que os americanos não dão no caso de seu país - explicou esse diplomata.
Sobre os dividendos políticos que o líder venezuelano ganhou com a libertação das reféns, o Itamaraty avalia ser importante parabenizar Chávez pelo episódio sem, no entanto, deixar de destacar a participação do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe. O colombiano poderia dificultar as negociações, alegando a soberania do país.